ENTREVISTA: Líder do Moto GP, santamariense Rafael Bertagnolli precisa de ajuda para participar da próxima prova do circuito

Há exatos 8 dias atrás, o piloto Rafael Bertagnolli estreava num dos grandes palcos do automobilismo mundial competindo pela primeira etapa do Circuito do Moto 1000 GP na categoria 600 cc. Naquele domingo (17), o autódromo de Interlagos assistiu pela primeira vez, um piloto santamariense receber a bandeirada em primeiro e após vencer uma corrida liderada desde a primeira curva. Aos 33 anos e com apenas 3 corridas na carreira até então, o desempenho de Rafael ganhou destaque na imprensa especializada do centro do país e impressionou com o feito, digno dos maiores campeões.

Mas, se o inicio dentro das pistas está sendo como um sonho, Bertagnolli precisa provar que também é um vencedor não apenas sobre duas rodas. O piloto número 5 da Bertagnolli Racing ainda não tem a presença na segunda etapa garantida. Inicialmente marcada para o dia 22 de julho, a prova que será realizada em Brasília, foi antecipada para o dia 15, encurtando ainda mais o tempo para captar os recursos para defender a liderança do campeonato na capital federal.

Sobre essa situação delicada, Rafael Bertagnolli concedeu entrevista ao EsporteSUL e relatou os maiores obstáculos que o comandante da Honda CBR 600 RR enfrenta:

EsporteSUL - Dentro das pistas o principal inimigo dos pilotos é o tempo, mas parece que também é fora dela, já que depois de estrear com vitória na Moto GP no final de semana passado, você foi desafiado a mais uma vez vencer o relógio para estar na segunda etapa, inicialmente prevista para dia 22 e que foi antecipada para dia 15. No que muda o planjamento com essa alteração?

Rafael - Olha Diogo, muda e muda muito. O espaço de tempo entre uma etapa e outra é demasiadamente curto. Em função de não ter um patrocinador de peso, conto na verdade somente com a Bramoto que me ajuda desde quando eu comecei a andar de moto, é um caos a cada etapa. Tenho que correr atrás, pedir, ouvir vários "não" como resposta, mas tem que acreditar que um dia alguém vai ver que não é dar dinheiro, mas sim, investir em divulgar sua marca. A mídia envolvida no Moto GP é imensa, jornal, revistas de renome nacional do esporte, sites, e tv ao vivo. A transmissão de cada etapa conta com a Rede Record e Record Internacional. e principalmente mídia local, jornal da nossa cidade, sites com conteúdo esportivo, no caso o EsporteSul.

EsporteSUL - O que é necessário para competir na Moto GP em estrutura e pessoal?

Rafael - Fui pra São Paulo com meu motorhome, onde consigo transportar a moto, o pessoal que me acompanhou, e contar com uma estrutura pra descansar e dormir, sem precisar hotel, visando sempre diminuir os custos. Tenho um preparador, que no caso cuida da moto, que na verdade é única no meu caso, pois outros pilotos contam com moto reserva, e a minha completamente original comparada com a dos outros concorrentes. É exigido uma estrutura mínima e que tenha uma boa aparência pra apresentar nos box. Trabalhamos na noite de quinta feira anterior a corrida, já em Interlagos, pra poder estar em coerência ao regulamento imposto, pra depois sim, ter a liberação para poder participar dos treinos de sexta feira. Foram também mais dois auxiliares, que nos ajudaram e muito para poder participar.

EsporteSUL - Como foi viabilizada a ida para a primeira etapa em São Paulo?

Rafael - Existe um custo médio pré fixado por mim, no qual tive base nessa etapa de São Paulo. Fiz as contas e chega em torno de R$ 7.800,00 por etapa. É exigido o mínimo de 3 pares de pneus fornecidos pela organização, a R$ 990,00 cada par, fora deslocamento, alimentação, despesas com a moto, etc... Tenho uma planilha de custos que desenvolvi e na qual está à disposição de quem queira ver os gastos. Para a etapa de São Paulo, contei com o patrocínio da Bramoto Honda, da Vitória Transportes de Grãos de Júlio de Castilhos, e o apoio de colegas de trabalho como a Exclusive Films, o Despachante Grillo e Vitor Hugo Automóveis. Minha família sempre ajuda com alguma coisa, se não fosse eles, não teria condições de correr, principalmente o incentivo deles e a força que me dão. E lógico, muito dinheiro do bolso para completar, o que torna muito difícil, pois tenho que deixar minha oficina mecânica fechada todos esses dias que estou fora, isso faço somente porque amo o que faço, senão, não valeria a pena nunca.

Bertagnolli acelerando em Interlagos, SP. Foto: moto1000gp.com.br

EsporteSUL - Quando e o qual o motivo os organizadores da Moto GP alegaram para antecipar a segunda etapa do circuito?

Rafael - No sábado a noite, recebi um email da organização, em nome do seu diretor Gilson Scuder, alegando que no dia 22 de julho, a Rede de Televisão, no caso a Record, já estaria com a grade da programação lotada, inviabilizando a transmissão ao vivo. Foi o que alegaram.

EsporteSUL - De que maneira a sociedade santamariense pode te ajudar a conseguir participar desta etapa, e principalmente seguir competindo até o final do calendário, elevando o nome de nossa cidade?

Capacete Bell MR4 em fibra de carbono, tamanho 58 recebido como prêmio pela vitória na primeira etapa será rifado pelo piloto. Foto: Arquivo pessoal /Rafael Bertagnolli.

Rafael - Estamos nos mobilizando da seguinte forma: meus amigos resolveram rifar um capacete que eu ganhei em Interlagos por vencer a corrida. É um capacate italiano da marca Bell, em fibra de carbono, tamanho 58, que custa aproximadamente R$ 1.700,00, a um custo de R$ 10,00 o número. As rifas estão aqui comigo, se alguém quiser comprar, me disponho a levar. Eu gostaria de frisar bem, se alguém quiser patrocinar, vai se surpreender com o retorno da mídia, a TV dá muito valor à exposição da moto. Consequentemente, aparece em cenário nacional a marca da empresa envolvida. Não estipulei valores para patrocinio. Como disse, para quem interessar, tenho a planilha de custos montada e que disponibilizo a quem estiver interessado em conhecer. Qualquer ajuda será bem vinda, podem entrar em contato pr email (rafaelbertagnolli@hotmail.com) ou até ligar pro número (55) 9972 8860, que irei conversar com o maior prazer. Preciso de dinheiro mais para comprar os pneus, deslocamento e alimentação. Não quero visar lucros, mas sim, poder fazer o que eu gosto e levar o nome da nossa cidade ao cenário nacional, e sim, lutar pelo título.

EsporteSUL - Por fim, qual a maior dificuldade que vem encontrando para desenvolver esse "dom" que é correr sobre duas rodas?

Rafael - A maior dificuldade realmente são os custos. Aqui no Sul, somos privilegiados, pois contamos com 4 autódromos, o que facilita e muito os treinos. Porém, o problema maior é o custo pra poder treinar, pois gasta pneu, o que é o mais caro, e sem contar com um patrocínio bom, tem que deixar para andar somente nos dias de corrida. Essa diferença comparada aos pilotos de fábrica, que treinam todos os finais de semana, no somátorio final é muito grande. Treinando da pra aperfeiçoar bastante as técnicas de pilotagem. Mas por enquanto, vamos fazendo o que dá pra fazer e pronto. Contando sempre com o apoio incondicional dos amigos, que estão empenhados a ajudar de uma forma e outra e rezar pra que apareça alguém que queira investir e ter retorno. E claro, tomara que eu consiga poder lutar e ir em todas as etapas, pois tenho sim o sonho de ser campeão, e o que depender de mim, pra quem me conhece, vou lutar até o fim.

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