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“Hoje eu não estou conseguindo enxergar uma luz para as duas equipes” afirma Paulo Brandt em entrevista exclusiva

Paulo Brandt recebeu o EsporteSUL para uma longa entrevista. Foto: Diogo Viedo / EsporteSUL

Em poucas palavras pelo telefone, a confirmação do encontro que revelaria detalhes do fato que causou reação em boa parte dos santa-marienses apaixonados por futebol. A conversa agendada minutos antes se transformou em uma longa e até surpreendente entrevista na tarde desta quinta (26/09). Depois da reunião entre membros da dupla Rio-Nal e a manifestação pública da intenção de criar um novo clube em Santa Maria para viabilizar o futebol profissional na cidade, o anfitrião do encontro e presidente do Conselho Deliberativo do Inter-SM, Paulo Brandt, recebeu o EsporteSUL para falar sobre a alternativa que já divide opiniões em todos os cantos da Boca do Monte.

Em uma de suas lojas no centro da cidade, o empresário que já foi diretor de futebol do Alvirrubro e estampou o espaço do patrocínio principal das camisas dos dois clubes em 2013, começou a conversa projetando uma realidade de muitas mudanças no futebol do país. Destacando as inúmeras dificuldades que os clubes profissionais, principalmente do interior, vivem atualmente, Brandt prevê um enxugamento nos campeonatos estaduais e um inevitável desaparecimento de alguns clubes de futebol, devido ao endividamento que o alto custo da manutenção dos times gera às instituições.

- É o mundo globalizado. Muitas mudanças virão no futebol, calendário, o futebol nacional vai mudar. Vão reduzir o número de clubes. No futuro, no Rio Grande do Sul vamos ter 12 equipes disputando a primeira divisão e talvez umas 12 na segunda. Vai mudar muita coisa daqui pra frente.

Paulo Brandt recebeu o EsporteSUL para uma longa entrevista. Foto: Diogo Viedo / EsporteSUL
Paulo Brandt recebeu o EsporteSUL para uma longa entrevista. Foto: Diogo Viedo / EsporteSUL

Aparentemente tranquilo e disposto a estender a conversa, o dirigente se mostra convicto da ideia de se buscar uma nova bandeira para tentar salvar o futebol da cidade. Citando inúmeros argumentos em favor do que resultaria no licenciamento da dupla Rio-Nal para abrir espaço para uma unificação em prol do esporte, Brandt mostra preocupação com o futuro do Periquito e do Alvirrubro ao longo do papo de 45 minutos:

- A coisa está afunilando, nós estamos chegando ao final do ano e tu estás vendo algum movimento do Riograndense ou do Inter-SM de contratar algum técnico, elenco? Não está se vendo isso. O Avenida de Santa Cruz do Sul já comunicou que no ano que vem não vai participar da Divisão de Acesso porque a Federação não terá verba para repassar. Então, a tendência é de que muitos clubes desistam da participação. Em um futuro próximo teremos 12 equipes no gauchão.

À medida que explica a delicada realidade do futebol, avança nas justificativas para se tomar um novo rumo:

- Pode ser a saída para termos uma equipe no ano que vem. O ânimo no ano passado era outro. Hoje as duas equipes estão mais endividadas. O Riograndense ainda precisa pagar a folha de pagamento, então já vai entrar enfraquecido no ano que vem, não vai conseguir montar a mesma equipe e aí já frustra a torcida. O Inter-SM a mesma coisa. E eu não vejo por parte dos presidentes um ânimo para entrar em mais um ano, uma aventura, para tirarem dinheiro do bolso.

Com  a inviabilidade como um diagnóstico consensual entre as duas cúpulas, ele admite que a criação de um novo "Esporte Clube" não será uma tarefa fácil, mas é uma possível alternativa, diante da falta de apoio das empresas:

- Fica mais fácil pagar 25 funcionários do que 50. Fica mais fácil pagar uma viagem do que duas. Vai ser fácil? Não, mas hoje eu não estou conseguindo enxergar uma luz para as duas equipes. Isso é desumano, hoje dirigir um clube sem dinheiro e sem ter pelo menos três, quatro mil sócios que dê uma receita de pelo menos 100 mil reais.

- Foi dado um pontapé inicial. De ontem pra cá criamos um fato. Quem sabe aparece algum patrocinador para as duas equipes, aí está resolvido, não se continua mais. Mas sem dinheiro não se faz futebol e passar vergonha ninguém quer. O Juliano e o presidente Mello precisam pelo menos repetir o que fizeram esse ano. (...)Se depender de mim, como conselheiro, eu não aconselho o presidente a participar do próximo campeonato. Clube endividado, pendências judiciais... Então hoje está inviabilizado fazer futebol. Eu aconselho a continuar o trabalho nas categorias de base, através de uma associação, que pode buscar recursos pra manter as atividades e tentar manter o patrimônio, pois é um campeonato caro (a Divisão de Acesso), e sem ajuda.

Sobre os próximos passos, Paulo Brandt afirma que a primeira semana de outubro deve ser decisiva para a continuidade ou não do ambicioso projeto.

- Foi feita uma reunião, foi provocada uma reunião pra colocar na mesa. Agora as equipes tem aí, 10 ou 15 dias pra trabalhar isso junto com a imprensa, internamente. Vamos ver a repercussão aí na cidade e depois o grupo vai decidir. Faz um novo clube? Não faz? E aí, o que vamos fazer no ano que vem? Qual o próximo passo? Estamos tentando fazer uma reunião entre o conselho (do Inter-SM), para a próxima terça (01/10) e aí eles vão se manifestar. Ontem eu vi um alívio de vários dirigentes que diziam: Será que nós vamos conseguir respirar por uns três anos? Será que nós vamos deixar de ser aqueles que sempre botam a mão no bolso? - desabafa o também patrocinador e colaborador de Riograndense e Inter-SM.

Esparançoso, vai além nas justificativas:

- Essa discussão foi boa por que acordamos as duas equipes que estavam adormecidas. Segundo semestre está aí e não está se falando em algum plano para 2014.

Sobre todo o processo burocrático que envolve a formação de um terceiro clube, embora admita ter um prazo curto pela frente, ele demonstra certo otimismo:

- No momento em que o grupo decidir, a Federação já se manifestou. Reserva uma vaga para esse novo clube e em relação à consolidação da instituição, acredito que pra esse caso, para esse fim, deve demorar menos tempo (40 dias), mas acho que a próxima semana será decisiva.

Sobre o encontro que contou com 13 dirigentes no final da tarde de quarta que poderá ficar na história do esporte santa-mariense, o ex-diretor de futebol do Internacional de Santa Maria foi categórico:

- Se esse grupo que se reuniu ontem abraçar a ideia e trabalhar junto, eu não tenho dúvida nenhuma que vai dar certo. Nenhum foi contra a ideia. Só não se falou na palavra fusão, por que o impacto seria maior. Eu acho que Santa Maria no futuro vai ter uma equipe representando a cidade. No momento em que as coisas começam a apertar, os clubes começam a perder seus estádios, as coisas vão ficando complicadas.

Questionado sobre a identidade, cores e símbolo da possível nova entidade,responde que a ideia seria repassar a decisão para a população:

- Se o clube decidir, se o clube vingar, aí sim é uma nova etapa e quem vai decidir nome vai ser a comunidade. A ideia é sugerir dois, três nomes e consultar as pessoas. A ideia é formar um grupo, um colegiado de 10 pessoas pra gerir esse novo clube.

Antes de voltar à seu escritório e retornar às suas atividades, já no meio da tarde desta quinta (26/09), o empresário que está em Santa Maria há 30 anos, rejeitou a possibilidade de se tornar o primeiro presidente do novo clube que pode estar nascendo no Coração do Rio Grande.

- Eu falo o que eu acho que deve ser feito, quero o bem de Santa Maria mas em hipótese nenhuma seria o presidente. Até para que amanhã ou depois não possam dizer que eu ajudei a fundar um clube para ser presidente. Eu quero ajudar o futebol, se tiver que fazer parte de um grupo até posso fazer, mas ser o presidente do clube está totalmente descartado.

Por Diogo Viedo, em 27/09/2013.

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