Integrante da Formula UFSM conta experiência santa-mariense na principal competição mundial de automobilismo universitário

Segundo melhor colocado na classificação geral entre os protótipos brasileiros na Formula SAE Brasil na edição de 2014 com o protótipo Pégaso, a equipe santa-mariense da Formula SAE voltou a representar o país na maior competição universitária de automobilismo do mundo, no último mês de junho.

Vice-campeão nacional em 2012 e 27º lugar na sua primeira participação em Mundiais, em junho de 2013, com o protótipo Artax, o grupo da Universidade Federal de Santa Maria voltou a marcar presença na Formula FSAE West Lincoln 2015, disputada entre os dias 17 a 20 de junho, no estado de Nebraska, Estados Unidos.

Equipe santa-mariense busca ajuda pra representar o Brasil em competição mundial de carros, nos Estados Unidos

Equipe Formula UFSM apresenta carro Celeris, que representará o Brasil na Formula SAE, nos Estados Unidos

Fórmula UFSM conquista o 3º lugar na Formula SAE Brasil

Mesmo sem alcançar o objetivo de chegar entre os 10 mais bem avaliados do planeta, o time comandado pelo professor Mario Martins teve garra para levar o carro Celeris a ficar entre os 50 melhores do campeonato.

E sobre a participação da equipe, marcada pela superação, o acadêmico de Engenharia Mecânica Cassio Freitas, 21 anos, relatou para o site oficial da Formula UFSM a experiência vivenciada pelo grupo de 15 membros que apresentou o cavalo alado da mitologia grega Celeris, irmão e sucessor do Pégaso, 5° protótipo da equipe desenvolvido no ano de 2014, nesta que foi a segunda participação da UFSM no evento realizado em solo norte-americano.

“Resultado de uma segunda colocação entre as equipes nacionais da competição Formula SAE Brasil 2014, a equipe Formula UFSM recebeu a oportunidade de participar da competição no estado de Nebraska, que ocorreu entre os dias 17 e 20 de junho, tanto por parte da SAE Brasil, que nos concedeu a inscrição para a competição, como por parte da UFSM, que viabilizou todo o envio do carro e a viagem dos integrantes.

Entre 13 alunos e 2 professores, saímos de Santa Maria no dia 11 de junho, um mês depois do envio do protótipo Celeris. Chegando na cidade de Lincoln, a qual sedia a competição no país, enfrentamos alguns inconvenientes. Ao contrário do esperado, aparentemente não havia onde hospedar todos os integrantes, assim como veículos tanto para locomoção da equipe quanto do protótipo dentro da cidade (este último que ainda não estava disponível para que pudéssemos trabalhar).

Celeris foi bastante danificado durante a viagem e teve seu rendimento prejudicado na Formula Mundial. Foto: Divulgação/ Formula UFSM

Celeris foi bastante danificado durante a viagem e teve seu rendimento prejudicado na Formula Mundial. Foto: Divulgação/ Formula UFSM

Assim que conseguimos ter acesso ao protótipo, notamos que, devido à alguns percalços durante a viagem, o Celeris chegou com algumas irregularidades. Alguns tubos estruturais quebrados, undertray inutilizável e basicamente um dia e uma noite para consertar estes “detalhes”. Foi então quando deixamos os problemas de logística de lado e sobrepusemos o quê fomos fazer lá. Dividida em turnos, a equipe trabalhou intensivamente para que o protótipo estivesse pronto para representar o Brasil nos Estados Unidos. E assim ele estava no primeiro dia de competição.

Chegando no aeroporto de Lincoln, local da competição, pudemos ver a dimensão do evento, que contava com equipes de países como Estados Unidos, Canada, Índia, México e Japão. Culturas diferentes, tecnologias diferentes, oportunidades diferentes, e ainda assim, estávamos lá para correr de igual para igual. Por mais que em outros lugares do mundo possa-se ter uma maior facilidade de fabricação, maior acesso à diferentes tipos de materiais, o que realmente leva uma equipe à frente é o empenho de cada integrante e sua organização. Reclamar da falta de acesso não é justificativa para não evoluir, e isso foi uma experiência bem sensível que felizmente pudemos incorporar à nossa filosofia.

Iniciadas as provas estáticas, tudo ocorreu conforme o esperado. Conseguimos passar pelas inspeções, praticamente todas sem precisar repetir(incluindo o noise test, prova que estava preocupando todas as equipes devido à mudança de regulamento). As apresentações de projeto foram muito bem sucedidas, com notas acima da média da competição, e os detalhes que deixaram à desejar em cada apresentação foram indicados durante o feedback dos juizes, para que cada subsistema possa trabalhar para aprimorar o conjunto. Passando-se para as provas dinâmicas e feitas as provas de aceleração e skid-pad, fomos para o pratice, que precedia a prova de autocross. Lá, encontramos a nossa maior resistência ao nosso objetivo(ficar entre o Top 10 do evento). Devido (acreditamos), às condições de aderência significamente diferentes do que encontramos aqui no Brasil (temperatura ambiente, características do solo, pneus novos, etc.), em uma redução de marcha o carro parou e começou a sair fumaça pelo muffler. As especulações acerca do que havia acontecido eram diversas, até que foi aberto o carter e verificado que uma das quatro bielas havia sido danificada. O Autocross já havia sido perdido (menos 150 pontos à concorrer), e no outro dia nos esperava a prova de endurance e fuel efficiency, totalizando 550 pontos (de um total de 1000).

Cassio Freitas faz parte da equipe desde 2014. Foto: Arquivo pessoal

Cassio Freitas faz parte da equipe desde 2014. Foto: Arquivo pessoal

Após meses de trabalho, empenho, e investimento por parte da nossa instituição, da SAE Brasil, dos patrocinadores, apoiadores e dos nossos próprios integrantes e professores, deixar de correr o enduro não era uma opção. Foi com esse pensamento que, após uma noite em claro, um virabrequim danificado e canais de lubrificação vedados por uma abraçadeira (sim), um bloco trincado reparado com cola especial, comando de válvulas literalmente esmerilhado e um pistão a menos, a equipe novamente fez com que o Celeris estivesse pronto para a próxima prova. E assim iniciou-se a prova, movendo-se o carro com apenas 3 cilindros. Não era devidamente uma manobra de downsizing, mas era a nossa melhor. Porém, com a vibração de um motor assustadoramente desbalanceado, no início da terceira volta o carro para. Então, não havia nada mais que pudéssemos fazer.

43º lugar geral. Um pouco distante dos 10 primeiros que almejávamos, mas certamente, depois de tantos dilemas, uma experiência que não podia ser de maior valia. No FSAE West Lincoln 2015, a equipe Formula UFSM teve sua maior prova de superação, onde pudemos ver o quão capaz pode ser um time quando a vontade é maior do que a dificuldade. Fomos para vencer e voltamos como vencedores. Valeu a pena deixar o Top 10 pro ano que vem.”

Formula UFSM 2015 - Celerus

Celeris foi o segundo representante da UFSM nos Estados Unidos. Foto: Divulgação/Formula UFSM

Por Diogo Viedo, em 09/09/2015.

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