Gilvan Ribeiro: um verdadeiro campeão

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Como pode, em um mundo tão competitivo, um menino nascido e criado no interior de um país tão desigual, alcançar aquilo que é o sonho de todo atleta e disputar uma Olimpíada, em um esporte pouco reconhecido e tendo que superar adversários até mesmo desleais? Pois o filho mais jovem de dona Cristina e seu Jorge Ribeiro, que vendiam doces e lanches para garantir uma vida digna à família, conseguiu.

Remando contra a correnteza, Gilvan fez do quintal da sua casa, às margens da barragem que abastece a cidade conhecida como o Coração do Rio Grande do Sul, o caminho para construir uma inspiradora história de luta, superação e vitória. Quinze anos após iniciar na canoagem, aos 27, ele provou que acreditar nos sonhos é preciso.

Ao cumprir no último sábado (21/05), o trajeto de 200 metros na prova final do Pan-Americano dos Estados Unidos à frente dos outro oito rivais de todos os cantos da América, ao lado do também gaúcho Edson Silva, cravou seu nome para sempre na história do esporte de Santa Maria ao garantir a vaga nos Jogos Olímpicos Rio 2016 na prova de k2 da canoagem velocidade.

No caminho, águas turbulentas sempre se mostraram transponíveis. Gilvan não desistiu e amadureceu com as dificuldades. Entre batalhas dentro e fora d’água, se hospedou em barraca para competir entre os melhores do mundo na Europa, abdicou do convívio com a família, superou momentos de incertezas, aprendeu a conviver e superar rivais que já tentaram derrubá-lo até mesmo quebrando sua proa no meio da água e aguentou a distância da pequena filha Clara.

Depois de atingir o objetivo perseguido durante uma década e meia de treinos, Gilvan chegará ao Rio mais forte do que nunca. Multicampeão pelas águas do Brasil, das Américas e do mundo, entrará no caiaque em agosto junto com Edinho na Lagoa Rodrigo de Freitas em seu auge.

Quis o destino que, a exemplo da judoca Maria Portela, nossa outra estrela olímpica, nascida em Júlio de Castilhos, Gilvan tenha em sua identidade outra cidade como berço, Cruz Alta, mas foi em Santa Maria que cresceu e se tornou um atleta. E é Santa Maria que agora passa a ter um novo herói, um novo exemplo de perseverança e garra a ser sempre lembrado e seguido.

Uma medalha no Rio se virá, será apenas um desfecho ainda mais especial para um roteiro dos sonhos. Que a história do caçula da família Bitencourt Ribeiro, iniciada nas águas geladas da barragem que banha a Boca do Monte ajude a romper cada vez mais barreiras no esporte santa-mariense, tão órfão de apoio, e ao mesmo tempo, tão capaz de transformar sonhos em realidade. Parabéns à famíila Ribeiro, boa sorte no Rio ao grande guerreiro Gilvan!

Gilvan e Edson conquistaram o título Pan-Americano no último sábado em Gainesville, Estados Unidos. Foto: Divulgação

Gilvan e Edson conquistaram o título Pan-Americano no último sábado em Gainesville, Estados Unidos. Foto: Divulgação

Diogo Viedo é gaúcho de São Gabriel e vive em Santa Maria desde os 17 anos. Jornalista desde 2010 e editor do EsporteSUL, é lateral-esquerdo em todas as peladas que joga e nunca assa o churrasco nas reuniões com os amigos.

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