Não vamos deixar os problemas ofuscarem o brilho do esporte

Ponto Final - NOVO

Não era bem assim que todos nós brasileiros esperávamos que fosse o clima da véspera da primeira edição dos Jogos Olímpicos em solo tupiniquim, mas, mesmo com tanta incompetência política e administrativa, não podemos agora desvalorizar este momento tão especial que o esporte verde-amarelo está prestes a viver. Não seria injusto com a história de Marias, Gilvans e Eduardos, que percorreram tantos caminhos para alcançar esse sonho que é participar da maior festa desportiva do planeta.

Não é que devemos esquecer que a Baía de Guanabara segue suja, que a Vila Olímpica é um desastre e segue sendo ignorada por algumas delegações, e tantos outros problemas políticos que nos entristecem e que, cá entre nós, já era imaginável desde 2009, quando a Cidade Maravilhosa ganhou a chance de apresentar o Brasil ao mundo para sediar a Olimpíada de 2016.

Porém, tudo isso não pode ofuscar a trajetória vencedora de nossos representantes que estarão lá no Rio a partir do dia 5 de agosto representando a bandeira do país e nossa Santa Maria. A partir de agora, nosso papel é torcer e muito, para que Maria Portela, Gilvan Ribeiro e Eduardo Menezes subam ao pódio e provem a todos que ainda não acreditam no esporte santa-mariense que daqui saíram atletas quem merece ser aplaudidos em meio a um turbilhão de pontos negativos que cercam esse evento único e que não deverá voltar tão cedo.

Em sua segunda participação olímpica, Portela, de 28 anos, está no auge da sua forma, assim como Gilvan, de 27 anos, e Eduardo Menezes, de 36. Mais madura depois do trauma de Londres, quando foi eliminada na primeira luta, a judoca que despontou no Projeto Mãos Dadas recomeçou sua trajetória rumo à sua nova oportunidade nos Jogos sem baixar a cabeça. Manteve-se entre as 20 melhores do ranking mundial durante praticamente todo o ciclo olímpico e participou de quase todas as competições possíveis nos últimos quatro anos, incluindo Jogos Mundiais Militares e torneios de clubes defendendo a Sogipa, de Porto Alegre. Sem dúvida, a Raçudinha dos pampas, que já está em Mangaratiba (RJ) com a seleção, tem totais condições de brigar por medalhas na categoria até 70 kg.

A história de Gilvan, que embora seja um estreante nos Jogos, é semelhante à de Portela. Com 27 anos, pelo menos 15 deles dedicado às remadas, o filho caçula da família Ribeiro é um verdadeiro exemplo de determinação. Entre inúmeras superações e obstáculos, percorreu o mundo por conta própria para treinar, chegou a desistir da seleção por um breve período, mas não abandonou o sonho olímpico e garantiu a vaga na última chance, ao vencer o pré-olímpico dos Estados Unidos, em maio, na prova de k-2. Ao lado de Edson Silva, chega confiante e muito focado para fazer bonito nas águas da lagoa Rodrigo de Freitas, onde também remará no k4, na prova de mil metros.

O terceiro atleta de Santa Maria no Rio deixou a cidade ainda na adolescência. Morou na Bélgica, México, França e Estados Unidos, onde reside atualmente, sempre movido pela paixão pelo hipismo, iniciada na Estância do Minuano. Titular da equipe nacional que tem o campeão olímpico de Atenas em 2004 Rodrigo Pessoa como reserva, o que, só por isso, já coloca Eduardo como um forte concorrente ao pódio, estará com seu fiel parceiro, o cavalo Quitol, nas disputas por equipe e individual, marcadas entre 14 e 19 de agosto.

Em contagem regressiva para o histórico início da primeira edição realizada na América do Sul, a hora é de não desvalorizar as competições e o mérito de todos os atletas que ali estarão desafiando seus limites. É chegada a hora de focarmos nossas forças em torcer e enviar energias positivas para os nossos conterrâneos que estarão chegando à lua, como comparou a sua participação olímpica o grande canoísta Gilvan Ribeiro. Afinal, a história de cada um que tentará uma medalha não representa qualquer desordem que tenha sido gerada fora do âmbito esportivo.

Diogo Viedo é gaúcho de São Gabriel e vive em Santa Maria desde os 17 anos. Jornalista desde 2010 e editor do EsporteSUL, é lateral-esquerdo em todas as peladas que joga e nunca assa o churrasco nas reuniões com os amigos.

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