Valorizem o futebol do interior

Ponto Final - NOVO

Um time com um orçamento baixíssimo, cujos titulares sequer pegariam banco de reservas na dupla Gre-Nal e que não sabe nem o que fará da vida depois de amanhã, desbancou justamente estes dois times nos pênaltis para ser campeão gaúcho. Em seis jogos contra Grêmio e Inter – somadas primeira fase e mata-mata -, não perdeu nenhum.

Um time que está apenas na Série D – e graças à campanha de 2016, já que a campanha de 2017 só lhe garante vaga para o ano que vem – despachou dois times multicampeões e de relevância internacional, que possuem atletas de seleções nacionais e que contam uma federação estadual que trabalha justamente para manter este domínio e os favorece deliberadamente. Seja através da diminuição de times na 1ª Divisão (de 16 para 12, fazendo com que times fortíssimos que tivessem um ano ruim tivessem que amargar a Divisão de Acesso – foi o caso do Caxias em 2016, vai ser o caso do Ypiranga, que está na Série C do Brasileirão, em 2018), seja através de uma distribuição de cotas que mal ajuda a manter os times que não sejam a dupla.

Contra tudo e contra todos, eles venceram. E foi realmente no mérito. A dupla Gre-Nal, em momento algum desvalorizou o campeonato. O Grêmio chegou a poupar titulares na Libertadores, correndo sério risco de se complicar na sua competição mais importante do ano, para eliminar o Novo Hamburgo. Não conseguiu. O mesmo vale pro Inter: muito lutou, mas não conseguiu superar o time extremamente bem montado do Noia. Não foi a dupla Gre-Nal que perdeu o gauchão: foi o Novo Hamburgo que venceu. Entre um e outro, há uma diferença significativa.

Antes de cornetear o Inter pela derrota, lembre-se que o Grêmio também foi eliminado pelo Anilado. É até injusto lembrar-se primeiro do rival antes do próprio campeão, pois praticamente desvaloriza-se o título. Não é sempre que isso acontece: é só a terceira vez que a dupla não vence desde 1961.

Claro que é um fracasso gigantesco quando a dupla não vence, exatamente por causa da enorme diferença financeira. Mas é justamente por isso que precisa se exaltar o título do Noia. No geral, o futebol do interior agoniza. Times tradicionais estão nas divisões inferiores, correndo o risco iminente do fechamento. Muitas pessoas se dizem fanáticas por futebol, mas fazem desdém e sequer acompanham o time da própria cidade. Só pra ressaltar: Santa Maria tem dois times. Um na Divisão de Acesso, lutando pra subir pra 1ª Divisão, e o outro na Terceirona, que começa a engrenar. Ambos precisam muito da ajuda do seu torcedor. O que você tem feito para ajudá-los até agora?

Por isso que a perda do Gauchão por parte do Inter não me magoa tanto. Contra tudo e contra todos, o Novo Hamburgo venceu. Viva o Anilado, viva o futebol do interior!

Novo Hamburgo comemorou muito o primeiro título de sua história. Foto: Divulgação/ECNH

Felipe Michalski é estudante de Jornalismo e colaborador do EsporteSUL desde 2016. Apaixonado por esportes norte-americanos, tem 19 anos e nunca teve comeu uma mulher

Felipe Michalski é natural de Porto Lucena (RS), estudante de Jornalismo e colaborador do EsporteSUL desde 2016. Apaixonado por esportes norte-americanos, tem 19 anos e mora em Santa Maria há dois anos.

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