A inacreditável façanha do Riograndense

Seria inacreditável o que aconteceu com o Riograndense se não fosse no Riograndense. Dentre todas as trapalhadas já vista nos últimos anos, essa, que culminou com uma punição confirmada pelo presidente Novelleto na manhã desta quarta (07/06), é, sem dúvida, uma das maiores e mais vergonhosas que o torcedor já viu e será obrigado a amargar nas próximas duas temporadas.

Ainda tento entender como a diretoria periquita conseguiu, depois de contratar reforços da Divisão de Acesso, como o volante e zagueiro Charles e o goleiro Juliano, para alcançar a classificação à segunda fase da Segunda Divisão, não tinha o mínimo de programação para a sequência da competição. Ora, se não tinha interesse em continuar na disputa, qual a razão para gastar os já escassos recursos com contratações?

Segundo alguns jogadores, existiam acordos com o grupo apenas para a disputa da primeira fase. Com a possibilidade da classificação, que se tornou muito provável antes mesmo da última rodada, seria o mínimo razoável que se iniciassem as conversas para ampliar os vínculos antes da confirmação da vaga, não?

Alegar que não tem onde mandar seus jogos, empurrando a culpa para a própria FGF e Ministério Público é outro argumento que não convence. Afinal, o Riograndense teve tempo suficiente para adequar o estádio dos Eucaliptos para receber a torcida e o time na Terceirona.

A decisão de Novelleto de “apenas” aplicar o que está previsto no regulamento e suspender o clube por dois anos é até uma ajuda, como disse o mandatário da FGF, é um tempo para que a casa ferroviária possa se reorganizar. Se levado ao TJD, o caso poderia ser ainda pior, com aplicação de outras sanções mais severas, como multa de até R$ 100 mil, que ainda não está livre de ocorrer, e até mesmo desfiliação forçada da Federação, o que se tornaria mais constrangedor para o lado esmeraldino de Santa Maria.

Que esse novo período sem futebol no bairro Perpétuo Socorro possa ser de, mais do que qualquer coisa, de renovação. É mais do que chegada a hora de novas ideias, de novas cabeças participarem ativamente do clube. É preciso que uma nova geração de dirigentes assuma o protagonismo para, só assim, ressurgir mais uma vez. Aos que conseguiram fazer isso com o clube, é hora de refletir se ainda podem contribuir positivamente. Não dá mais para continuarem a arranhar uma história tão rica como a deste, que é um dos 10 clubes de futebol mais antigos do Rio Grande do Sul. Muito triste para o futebol de Santa Maria, que sofre um nocaute da incompetência e irresponsabilidade.

Diogo Viedo é gaúcho de São Gabriel e vive em Santa Maria desde os 17 anos. Jornalista desde 2010 e editor do EsporteSUL, é lateral-esquerdo em todas as peladas que joga e nunca assa o churrasco nas reuniões com os amigos.

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