Presidente da Federação confirma punição ao Riograndense

A incerteza e angústia na torcida gerada pela lamentável desistência de continuar na disputa da Segunda Divisão após uma arrancada fulminante no segundo turno da primeira fase com quatro vitórias em sete jogos, chegou ao fim para o futebol no bairro Perpétuo Socorro, e da maneira que todos já imaginavam.

Com base no capítulo 6° do artigo 39 do Regulamento da competição, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Novelleto Neto, anunciou a decisão automática que obrigará o clube ferroviário a cumprir um período de dois anos afastado das competições oficiais promovidas pela entidade que coordena o futebol no Rio Grande do Sul. Em entrevista ao EsporteSUL, o dirigente confirmou a decisão, que, mesmo pesada, é considerada a mais branda, e que atinge a todas as categorias, da base ao profissional.

Último bom momento vivido pela torcida periquita foi na temporada 2013. Foto: Diogo Viedo/EsporteSUL

Último bom momento vivido pela torcida periquita foi na temporada 2013. Foto: Diogo Viedo/EsporteSUL

– Não (não vai a julgamento). Apenas cumprir o regulamento. Se mandar para o TJD (Tribunal de Justiça Desportiva), certamente dará mais. Sempre o mínimo é dois, mas, conforme a gravidade, se encaminha ao TJD, aí podem até ser desfiliados. – revelou Novelleto, que já bateu o martelo sem levar o caso para apreciação da justiça.

De acordo com o Regulamento, ocorrendo o abandono ou desistência, após iniciada a competição, o clube fica impedido de participar das competições organizadas pela FGF, nos anos de 2018 e 2019, independente das demais penas previstas no CBJD e multado com a importância de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais).

Riograndense anuncia desistência da Segunda Divisão

Vice de futebol do Riograndense fala sobre a desistência da Terceirona e o provável licenciamento do clube

Motivado pela falta de campo, segundo destacou o vice de futebol periquito, Wolmar Heringer em entrevista na última segunda, já que o  Estádio dos Eucaliptos segue sem autorização para mandar jogos, e sem conseguir a prorrogação do empréstimo do Presidente Vargas, casa do Inter-SM, onde mandou seis de seus sete jogos em Santa Maria na Terceirona, agravado pela não-renovação de acordos com boa parte do elenco e com o próprio técnico Leonardo Ribeiro, o Riograndense enviou uma carta oficializando a desistência na última quinta (01/06), antes do início da segunda fase.

Para Novelleto, a medida é vista como algo necessário para a reestruturação do centenário clube santa-mariense.

– Serão dois anos (de punição), para o bem do Riograndense, fora, se organizar. Não vai ter nenhum prejuízo, já estava na Série C. Não vai cair para lugar nenhum. – enfatizou o presidente da FGF.

O Conselho Deliberativo deve se reunir ainda nesta semana, quando já deverá ter o comunicado oficial da sanção imposta pela Federação.

Fundado em 1912, o Riograndense é considerado um dos 10 clubes de futebol mais antigos do estado. Em 1921, foi campeão do interior e vice-campeão gaúcho. Em 1978, conquistou o título da Segunda Divisão. Com raízes ferroviárias, o clube perdeu força junto com a Viação Férrea no início da década de 1980 e acabou desfiliando-se temporariamente da Federação Gaúcha de Futebol. Em 1982, uma tentativa de retorno se estendeu até 1986, quando, mais uma vez, encerrou as atividades no futebol para voltar apenas na temporada 1999/2000. O último grande momento do clube foi na Divisão de Acesso 2013, quando chegou bem perto de subir para a Série A do Gauchão. Dono de uma das melhores campanhas da competição, o time treinado por Círio Quadros foi até a semi-final do primeiro turno e disputou a terceira e última vaga à elite contra o Aimoré, já com Leocir Dall”Astra como treinador, mas acabou perdendo a vaga para o time de São Leopoldo. Em 2016, já com muitos problemas financeiros, foi rebaixado da Divisão de Acesso para a Segunda Divisão, a Terceirona gaúcha.

Por Diogo Viedo, em 07/06/2017.

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