Tristes e temerosos quanto ao futuro, torcedores do Riograndense comentam sobre o momento do clube

Na próxima terça-feira, dia 20 de julho, uma reunião no Estádio dos Eucaliptos do Conselho Deliberativo do Riograndense irá bater o martelo quanto ao rumo do clube nos próximos anos. Após desistir da disputa da Segunda Divisão prestes a iniciar a segunda fase, o clube ainda aguarda um comunicado oficial por parte da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) e do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul (TJD-RS) sobre a sua punição, que ao que tudo indica deve ser mesmo ficar afastado por um período de dois anos das competições oficiais promovidas pela entidade.

Em meio ao turbilhão de notícias negativas que eclodiram nos Eucaliptos a torcida esmeraldina acompanha tudo com pesar, angústia e ainda mais temor. Nos últimos dias o EsporteSUL conversou com alguns torcedores do Periquito que lamentarem o triste cenário e alguns deles deixaram claro o descredito quanto a um futuro melhor para o clube do Perpétuo Socorro.

Veja abaixo o depoimento de nove torcedores ouvidos pelo EsporteSUL:

DANIEL PIRES ALVORCEM
“O Riograndense não é o time dos médicos, não é o time dos donos de engenhos, empreiteiros, dos donos de postos. O Riograndense é um time da cidade de Santa Maria. O time do povo de Santa Maria. É um time que cresceu junto com a cidade no século passado e ajudou a cidade a crescer. Naquela tribuna toda sociedade santa-mariense quiçá gaúcha assistiu jogos, governadores, diversas autoridades. Isto não pode terminar assim. O presidente Coden lutando contra a vida dele tentou coordenar uma equipe para levar o Riograndense para terminar esse ano com dignidade. E parece que não conseguiu. É uma lástima o que está acontecendo com o Riograndense. Mas é um retrato da crise que passa toda sociedade, muita individualista, sem desprendimento para outras causas que não seja a sua própria causa. Mas o Periquito não pode se entregar. Vamos reconstruir toda a infraestrutura de acordo com as exigências necessárias para assumir novamente um lugar de destaque no esporte regional. Parcerias para a viabilização das categorias de base devem ser encarnadas como prioridade assim como uma fidelização do quadro social.”

DAIANI FERNANDES
“Recebi a notícia da desistência do campeonato quando eu estava na faculdade, não conseguia acreditar e não podia fazer nada no momento. Esperei chegar em casa e chorei, pois já sabia da possível punição que poderia deixar o clube sem jogar por dois anos. É difícil lidar com isso, porquê o Riograndense pra mim é um amor passado pelo meu pai, é tradição de família, é um lugar que eu vou há 20 anos. E agora vou fazer o que? Eu curso fisioterapia e já estava fazendo vários planos, iria me disponibilizar e ajudar o clube com o que já aprendi. Mas enfim, eu vejo essa situação do clube como o resultado de uma diretoria desunida, pessoas que só querem cargos, mas na hora de ajudar somem. Só acredito que o clube pode melhorar durante esses dois anos que estará fechado se acontecer uma renovação na diretoria e principalmente permitirem que a diretoria jovem possa ajudar e dar ideias. Mas a diretoria atual pensa que os jovens e principalmente se for mulher não entendem de futebol.”

FLÁVIO PEZZI 
“Tenho 57 anos, mais de 50 anos de Riograndense. Morei na Rua 7 de Setembro até a maioridade, me criei dentro do Estádio dos Eucaliptos. Já fui associado várias vezes e a cada nova gestão você se torna ex-associado causado pela falta histórica de gestão interna continuada. Hoje o “meu Periquito” sofre por falta de gestão, falta de estrutura financeira, falta de foco, falta de visão e metas, falta de gestores novos por culpa dos próprios abnegados especialmente nos últimos dez anos que atuam em casulo, casta, império, sufocando qualquer manifestação de participação de novos colaboradores quando não fazem parte dos seus. Parece-me que o clube tem donos que atuam em rodízio. Dois anos de punição, sem futebol profissional. O Periquito agoniza, sofre e tantos quantos, como eu, sofrem com a situação atual. Vem, em minha cabeça, tantas idéias para aprendendo as lições, reerguer o nosso centenário Periquito e a que vislumbro como a mais importante chama-se “renovação”, alicerçado na sabedoria dos que já se doaram e se retiraram, mas trazendo e propiciando a doação qualificada de novos e jovens dirigentes.”

JORGE ADRIANO SARKIS
“Foram anos que eu podia me orgulhar, o Riograndense sempre fez boas campanhas. Infelizmente esse tempo não voltará mais tão cedo. Hoje, pela não liberação do estádio, meu time morreu, meus domingos de jogos não voltaram, não terei mais a euforia dum gol do meu clube. Fico machucado, pois sei que existem estádios muito piores que o nosso e que estão funcionando, mas a nossa cidade ficou marcada. Dois anos não serão suficientes, não alimento minhas esperanças que em 2019 verei meu clube novamente. Posso garantir que precisamos de muito mais tempo para conseguir digerir esse acontecimento e reerguer esse grande clube do Rio Grande do Sul. Meu coração verde ainda bate.”

Diretoria esmeraldina só irá se pronunciar oficialmente após a reunião do Conselho Deliberativo. (Foto: Bruno Tech/EsporteSUL)

CARLOS MOURA
“É triste ver o Riograndense nesta situação. Essa gurizada jogou com raça com vontade para classificar e classificaram. Saíram de uma situação que estava quase perdida e o pessoal não dá valor e desiste fácil. É uma vergonha para Santa Maria com 300 mil habitantes não conseguir manter uma folha de pagamento de uma equipe dessas. Falta apoio da comunidade e a diretoria do Riograndense errou. Como torcedor é triste ver o clube nesta situação.

JAIME AUGUSTO DE OLIVEIRA
“Como torcedor e sócio do clube recebemos estas notícias com muita tristeza. Fomos todos pegos de surpresa, ninguém esperava uma atitude e uma situação dessas. Creio que faltou um pouco de planejamento para o clube. Se no início do ano tivessem percebido que não teriam condições de disputar o campeonato, então nem teriam que ter entrada no disputa. Eu vejo que essa desistência após a classificação foi uma atitude intempestiva. Faltou mesmo planejamento. Pegou muito mal para comunidade e torcida a maneira como tudo foi conduzido. Acompanhei no passado os anos todos que o clube esteve fechado, o departamento de futebol profissional, e obviamente isto não é bom. É o receio que temos no momento, que não fique só nesses dois anos que deve ser a punição e que se torne um tempo maior.”

LUCAS DORNELES
“Os erros não começaram de ontem pra cá. Esse graves erros já vem acontecendo faz anos. Fiquei muito chateado, pois amo o Periquito e não queria que acontecesse isso. Também fiquei um pouco brabo, porque como fui da diretoria jovem e lá nos dávamos ideias, com fazer um risoto, feijoada, íamos levar essas ideias para a diretoria e eles nem davam bola. Teve uma vez que alguém da diretoria falou que nos jovens servianos apenas para a limpeza. Esse ano o Coden disse que seria diferente, mas pouca coisa mudou. Sobre a desistência do campeonato ainda não consegui entender. Fizeram a cabeça dos jogadores para acreditar na classificação sabendo que não teria como continuar? Isso é o que eu me pergunto. Acredito que o clube pode mudar e vir mais forte, mas tem que troca aquela diretoria ou troca alguns. Não adianta esperar esses dois anos e continuar a mesma várzea, porque alguns diretores só querem o dinheiro do clube, falam que é para ajudar, mas o que o clube precisa é de pessoas novas.”

LÉO PEZZI
“O clube está em situação caótica. Estamos vivendo uma das piores fases dos últimos anos, com fatos e circunstâncias alarmantes de desordem em nosso clube. Como se já não bastasse as diversas tentativas de voltarmos a elite do futebol gaúcho, não conseguindo se manter na Divisão de Acesso, o clube regressou mais uma vez, com seu rebaixamento para a série C, deste campeonato tão importante para nós torcedores. Levando-me a refletir sobre o que está acontecendo com este clube, tão tradicional em nossa cidade. Muitas coisas são visíveis a qualquer um, erros de gestão e falta de estrutura financeira e organizacional, um clube rico de história, tendo muitas personalidades influentes na cidade como seus torcedores, pessoas com poderes políticos e financeiros, que poderiam sim mudar toda essa história, uma imprensa forte e apoiadora. O clube de bairro, como foi chamado por muitos anos em sua fundação, cresceu ao longos de seus anos, teve suas recaídas e sempre se reergueu. Acredito que agora seja a hora de arrumar a casa. Não nego minhas frustrações quanto a punição recebida de afastamento das competições por dois anos, mas talvez seja essa a hora de renovar, o clube necessita de renovação. Quando utilizo esta palavra me refiro a uma gestão profissional, com comprometimento e determinação, coisas que não estamos vendo atualmente nos Eucaliptos. Muitos destes fatos vieram a entristecer o torcedor raiz, enfraquecendo cada vez mais seu quadro de sócios e apoiadores, afastando cada vez mais torcedores, assim como eu, de acreditarmos em mudanças emergentes e a curto prazo. Acredito que dentro de alguns anos, com muito trabalho e planejamento, nosso Riograndense poderá retornar a elite do futebol gaúcho, nos trazendo novamente todas as alegrias que nos motivam cada vez mais a amar este clube, estando ele na situação boa ou ruim.”

Por Bruno Tech, em 14/06/2017

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