A velha “nova geração” segue fazendo escola em Santa Maria

É triste constatar, mas a verdade é que o esporte santa-mariense sofre atualmente por uma grande doença generalizada em todos os seus órgãos. Poucos dias após assistirmos a um abandono inacreditável do Riograndense a uma competição profissional, a nova bomba que caiu sobre o céu do Coração gaúcho vem do futsal.

Superado, mesmo que parcialmente, o problema de iluminação, após a boa vontade de algumas instituições que envolveu até o Exército para poder colocar o ginásio municipal em condições de receber jogos pela Série Bronze no final do primeiro turno, a extinção precoce e diga-se, nenhum pouco surpreendente do Nova Geração, estreante entre as três equipes santa-marienses na competição, evidencia o amadorismo da gestão do esporte local, a falta de interesse da sociedade e das empresas em fomentar modalidades na “Cidade Cultura” e uma certa ingenuidade de alguns sonhadores, que alimentam um sonho depositando crédito a qualquer promessa leviana e aceitam grandes desafios sem garantia alguma.

Montar um elenco de qualidade e prometer a um grupo inteiro de trabalho algo que não estava ao alcance da diretoria é contar com o ovo dentro da galinha, como diziam os mais antigos. Sem receber, ninguém treina. Sem treinar, ninguém compete. E foi assim que o grupo de jogadores decidiu dar um fim, mesmo que trágico, mas inevitável, ao que vinha se tornando cada vez mais, apenas uma grande ilusão.

Liderados pelos experientes fixos Roger Ribas, eleito no Prêmio EsporteSUL como um dos três melhore jogadores da temporada 2016, e Guilherme Tocchetto, com história na Série Bronze defendendo América, União Independente e UFSM, e que reviu sua decisão de encerrar sua carreira nas quadras seduzido pelo projeto apresentado, o elenco se reuniu às vésperas de encarar um novo clássico local para chegar a um consenso e forçar a direção a decretar falência como única saída para não prejudicar ainda mais os principais prejudicados pela aventura do Novinha, que são os próprios atletas, com a esperança de não serem obrigados a abreviar a participação dentro das quadras defendendo, eventualmente, outras equipes.

Um triste fim para mais uma iniciativa em Santa Maria que entra para a história do nosso esporte. Diante de tanta falta de interesse dos empresários, que, salvo poucas e louváveis exceções, provam a cada dia que não têm nenhum interesse em ajudar a promover o esporte e devolver algo à sociedade que ajudou a construir e ajuda a manter suas marcas, fazer qualquer tipo de promessa é assinar sua própria condenação. A velha “nova geração” segue fazendo escola em Santa Maria.

Diogo Viedo é gaúcho de São Gabriel e vive em Santa Maria desde os 17 anos. Jornalista desde 2010 e editor do EsporteSUL, é lateral-esquerdo em todas as peladas que joga e nunca assa o churrasco nas reuniões com os amigos.

Notícias Relacionadas