Riograndense encerra sua última atividade no futebol

O centenário Riograndense está oficialmente inativo. Essa é a triste realidade do clube ferroviário que chega ao último trimestre de 2017 sem nenhuma atividade desenvolvida no estádio dos Eucaliptos. Depois de abandonar a disputa da Segunda Divisão Gaúcha no início de junho, mesmo classificado para a segunda fase, e sofrer uma punição de dois anos pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF), a equipe de categorias de base de futebol feminino, única atividade ainda sobrevivente no Periquito, foi extinguida.

O projeto liderado pelos professores Fábio Belous e Maico do Santos, que atendia 60 meninas, nas categorias sub-13, sub-15 e sub-17 desde janeiro, teve seu desligamento com o clube do bairro Perpétuo Socorro confirmado no início desta semana, encerrando as atividades do clube que não poderá disputar competições até 2020.

– A equipe de base de futebol feminino era a única ativa do clube, e como já tinham anunciado, encerrou todas as atividades para se estruturar internamente. Em comum acordo com o atual presidente e os coordenadores do projeto feminino, foi decidido o encerramento das atividades. – resumiu Fábio Belous, que promete não desistir das equipes e já iniciou conversas para continuar o trabalho e os treinamentos com as meninas em parceria com outra instituição santa-mariense.

Técnico Fábio Belous já negocia novo clube para abrigar projeto feminino de categorias de base. Foto: Bruno Tech/EsporteSUL

Em pouco menos de nove meses de atividades, foram 12 amistosos realizados entre as três categorias, com um saldo de 10 vitórias, duas delas contra escolinhas do Grêmio, realizadas em julho no CT Cristal, em Porto Alegre, e apenas duas derrotas.

Com o fim do futebol feminino no clube, que desde agosto tem Wolmar Heringer como presidente para um mandato até junho de 2018, a torcida esmeraldina se depara diante de mais um desligamento na história do Riograndense. O último afastamento das atividades durou cerca de duas décadas (início dos anos 80 até 1999), quando o futebol profissional ressurgiu nos Eucaliptos. Nos últimos anos, o Periquito viveu uma verdadeira montanha russa. Em 2013 esteve a um passo de conquistar o acesso à Série A do Gauchão, quando teve duas chances de garantir uma das três vagas: primeiro, ao ser semifinalista do primeiro turno e, logo depois, perder para o Aimoré a terceira vaga na elite estadual na disputa entre as duas melhores campanhas.

Em 2016, em meio à uma crise política inflamada após a renúncia da presidente Lisete Frolich em 2015 e o adiamento do início da Divisão de Acesso devido à não-liberação dos estádios em Santa Maria, a equipe que tinha Rodrigo Bandeira como técnico sofreu muitas mudanças e acabou rebaixada para a Segunda Divisão, a “Terceirona”, já sob o comando do treinador Lucas Fossatti. Já na temporada 2017, a falta de recursos atingiu em cheio o trabalho iniciado por Michael Bohm e continuado por Leonardo Ribeiro, que levou um grupo formado por jovens à segunda fase da competição, mas acabou desmanchado por falta de acordo com os atletas, que acabou levando a diretoria a desistir de continuar na disputa, resultando no afastamento de torneios oficiais por dois anos.

Agora, apenas a equipe feminina de futsal que disputa a Copa Oreco com as cores do clube mantém vivo o escudo do Riograndense.

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