Preparador de goleiros santa-mariense completa um ano na Chapecoense

Ao pisar da Arena Condá na tarde desta quarta-feira, dia 3, o preparador de goleiros santa-mariense Vinícius Bandeira estará em festa. Além de comemorar mais um início de temporada com a categoria sub-15 da Associação Chapecoense de Futebol, o profissional estará celebrando o seu primeiro ano à serviço do gigante catarinense e brasileiro.

Além de um papel fundamental, já que a categoria de base é mesmo o alicerce para o futebol profissional, a tarefa de Vinícius Bandeira é ainda maior pelo processo de reconstrução vivido pelo clube junto a cidade de Chapecó desde maior tragédia aérea do esporte mundial. Fator que só aumenta o empenho do santa-mariense e contribui para o seu crescimento pessoal.

E é sobre esse e outros pontos que o EsporteSUL debateu com Vinícius no dia em que completou exatos 356 dias de Chapecoense. Aos 25 anos de idade, o preparador de goleiros com passagens pela Sociedade Esportiva Novo Horizonte e pelo Riograndense e único santa-mariense a passar pelo Treinamento de Goleiros das Categorias de Base da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) participou neste um ano das principais competições catarinenses e algumas do calendário nacional na classe sub-15 ao longo de 2017, onde ajudou a Chapecoense conquistar dois títulos (a Taça da Amizade, em Roca Sales, e Regional, com clubes do oeste catarinense) e dois terceiros lugares (na Copa Caio Júnior, em Curitiba, e na Taça Cidade Tuparendi, na cidade gaúcho que empresta nome ao torneio).

Vivendo o seu melhor momento na carreira desde que começou a lapidar promessas de arqueiros,Vinicius comentou e também avaliou o seu primeiro ano de Chape, a sua responsabilidade em trabalhar com jovens promessas e sonhos, sobre a “colônia” santa-mariense na Arena Condá e sobre os planos e metas para temporada, o que começa com um estágio de trinta dias na Europa, passando por Portugal, Espanha e Itália.

Ou seja, se o primeiro ano foi intenso e de muitas comemorações com o Índio Condá, o 2018 promete ser ainda mais marcante para Vinícius Bandeira.

Vinícius Bandeira completa um ano à serviço da Chapecoense nesta dia 3 de janeiro, justamente a data da reapresentação na Arena Condá. (Foto: Arquivo Pessoal)

Confira abaixo os principais trechos da entrevista com o preparador de goleiros Vinícius Bandeira:

Um ano de Chapecoense

“Foi um ano que vai ficar guardado na minha vida sempre. Querendo ou não estamos participando da recostrução do clube, não tem como deixar de lado o que aconteceu (tragédia do ). Foi um ano de muito aprendizado mesmo. É um clube de Série A, são competições e níveis de adversários maiores. Temos um estadual muito nivelado, muito equilibrado mesmo. No Rio Grande do Sul é meio polarizado, mas em Santa Catarina é sempre uma incógnita, temos cinco clubes com chances de ser campeão. É muito bom trabalhar em Santa Catarina, no Campeonato Catarinense. Minha carreira vejo com bons olhos daqui para frente pois estou crescendo muito aqui na Chapecoense.”

Avaliação da primeira temporada no clube catarinense

“O 2017 foi um ano muito bom, de evolução. Mas provavelmente o 2018 vai ser ainda melhor. Vou conseguir implantar um pouco mais das minhas ideias que penso na preparação e formação de goleiros. Nesta temporada estava me adaptando ao clube, me adaptando a uma nova realidade e a uma nova forma de trabalho e já foi muito especial, dentro e fora de campo. Mas pouco a pouco vamos colocando nosso próprio tempero digamos assim. Cresci muito e aprendi muito em 2017.”

Como é trabalhar e participar da reconstrução da Chapecoense

“O clube nos dá todas condições de um grande trabalho. Começa pelo salário em dia, o que acho que deve ser dito, já que por mais que é uma obrigação dos clubes pagarem em dia seus funcionários sabemos que a realidade em muitos lugares do Brasil é outro. Trabalhamos tranquilo, coisa que não é tão comum no futebol nacional. O apoio da torcida é muito legal, muito forte. e toda história do clube nos motiva muito e ajuda a motivar a gurizada a ter essa identificação com o clube. Até para passar valores para os atletas mais novos temos oportunidades e é muito bom. O futebol é uma selva e o jogador tem que ter uma cabeça boa para suportar isto, tendo 13, 15 17 anos. E temos que orientar eles. Neste sentido gosto muito de trabalhar com o futebol por causa disto, mas principalmente na Chapecoense por causa desse clima que tem lá entre torcida, clube, jogador e dirigentes. É alto nível, primeira divisão, jogos de alto nível, atletas de alto nível. Estou vendo a história acontecer, muitos atletas que estou trabalhando hoje ou enfrentamos podem servir a Seleção Brasileira ali na frente. Estão é uma experiência de vida muito boa mesmo.”

Responsabilidade em trabalhar com a formação de jovens, dentro e fora de campo

“Como já disse, é uma experiência que não cabe a qualquer um. Acho que tem muito profissional ligado ao futebol que pode se dar muito bom na categoria principal ou numa categoria sub-20. Mas trabalhar com as categorias menores tem que ter um feeling para algumas coisas, um toque e visão diferente, não só de conselhos mas também de cobranças. Muitas vezes me sinto até um irmão mais velho. Na minha função (preparador de goleiros) fica mais fácil porque trabalho com menos atletas, geralmente três ou quatro. Assim fica mais fácil de agregar ao grupo. Me sinto nesta responsabilidade de orientar eles. Muitos saem de casa muito cedo. Tenho só um goleiro de Chapecó, o resto de fora e tem todo este lado da distância da família também. Temos que dar todo este suporte. Um elenco muito grande com trinta atletas se eu puder fazer a minha parte com quem eu trabalho direto já tira um pouco da tarde do treinador. É uma preocupação muito grande que eu tenho. Talvez seja pesado falar, mas o futebol é um ambiente difícil, diferente. Já tentei ser atleta profissional, optei pelos estudos e sinto mais ou menos o que eles sentem hoje. Tento orientar eles não para em ser um atleta profissional, mas ser um atleta com caráter, honesto, não colocar a vitória acima de tudo. Há muitos valores importantes que deixamos de lado as vezes em busca da vitória.”

Santa-mariense levanta o troféu de campeão do Regional ao lado dos seus goleiros. 2018 promete ser mais um ano cheio de competições. (Foto: Arquivo Pessoal)

Estágio na Europa

“Tenho um estágio na Europa pela frente e que vai agregar muito não só para mim como para o próprio clube. Veio na hora certa. É visível a disparidade de clubes europeus e sul-americanos e não é só questão de dinheiro. Acredito muito no trabalho, conhecimento e estudar o futebol. Por isso planejamos esta viagem para ir na fonte do conhecimento. Portugal é um berço do estudo do futebol, depois na Espanha que tem uma escola muito importante e por último na Itália que na minha opinião é uma das maiores escolas em formação de goleiros.”

Colônia santa-mariense da Chapecoense (Ao lado de Vinicius também trabalham no clube os fisioterapeutas santa-marienses Guilherme Carli e Diego Fadeuille, os preparadores físicos Jardel Zamberlan e Gustavo Pires, com passagens pelo Riograndense e Inter-SM, o roupeiro Cadu, que também já passou pelos Eucaliptos, e Roberto Ferreira, supervisor das categorias de base)

“É um fato curioso. Realmente é uma colônia que tem aqui. Geralmente quando perguntam quantos tem de Santa Maria no clube temos até que parar para pensar um pouco (risos). Isso ajuda muito no trabalho. Já conhecia a maioria, o Jardel, o Guto e o Cadu. Ainda tem mais fisioterapeutas, o Guilherme e o Diego, e mais o Roberto, supervisor da base. Tu já tem um conhecimento de como o outro trabalha facilita, a parte de adaptação é mais curta. Mas isso mostra o potencial que Santa maria tem. Temos uma universidade federal gigante, um centro de educação física muito bom, e outra faculdades particulares também muito boas. E que bom que o Inter-SM está sabendo aproveitar isso. Boa parte da comissão técnica e minha conhecida e meus amigos. Acho que Chapecó, talvez por ser próximo de Santa Maria e com um time na elite, é um destino mais acessível para o pessoal da região central. É bom para a cidade, vai começar a espalhar cada vez mais mão de obra, mas também está começando a segurar bons profissionais.”

Próximas metas e objetivos

“Primeira meta para 2018 é concluir o curso de Educação Física. Já fiz um curso na CBF, a licença de preparador de goleiros, que foi uma baita conquista para mim, mas foi buscar a minha graduação. Quero seguir fazendo um bom trabalho na Chapecoense este ano. Espero ficar pelo menos ficar mais uns três anos lá, no mínimo. Quero deixar minha marca no clube mesmo. Já mais adiante quem sabe ir para um outro clube ou quem sabe até mesmo buscar alguma coisa fora do país, que é uma das metas da minha carreira.”

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