Mais experiente, Mel Cueto vai em busca de sonho na mais valiosa competição do mundo: “Me sinto mais preparada agora”

Colocar no peito uma medalha dourada nos dois mais importantes campeonatos mundiais do planeta. É focada nestes dois objetivos que uma das principais atletas do jiu-jitsu gaúcho encara a temporada 2018. E, para realizar seu grande sonho e reescrever uma página ainda em aberto de sua carreira, além de voltar aos Estados Unidos para o mais tradicional mundial da arte suave, Mel Cueto redirecionou sua trilha, encarou de frente novas possibilidades e não fugiu de mudanças, segundo ela, necessárias.

Depois de receber em dezembro passado a faixa marrom das mãos de Antônio Pedro Dias, o “Kapincho”, após três anos competindo pela faixa roxa, quando acumulou inúmeros títulos, entre eles o Sul-Brasileiro de 2015, a medalha de ouro na categoria e a prata no absoluto no Campeonato Sul-Americano 2016, ouro na categoria e o bronze no absoluto no Sul-Brasileiro 2016, um bronze na categoria e uma prata no absoluto no Brasileiro 2016, um ouro na categoria e uma prata no absoluto do Gramado International Open, além do vice-campeonato do Brasileiro 2017, todos pela CBJJ, além do Mundial da CBJJE, em 2016, na categoria e também Absoluto, a pelotense radicada em Santa Maria de 27 anos iniciou o ano precisando se adaptar às regras da nova faixa, que o colocará frente a frente com as mais graduadas adversárias nos tatames.

Mel em ação na Copa EsporteSUL. Foto: Diogo Viedo/EsporteSUL

– Quando eu peguei a marrom fazia três anos que era roxa e estava ansiosa pelo novo desafio, até porque na faixa marrom algumas chaves (golpes) são diferentes. Algumas chaves não são permitidas e eu queria me testar, ver se ia me adaptar. No meu primeiro campeonato, até meio irônico, em minha primeira luta, eu consegui finalizar com um mata-leão no pé, que foi justamente o que eu estava preocupada se daria certo. E também a questão do tempo da luta, já que, em muitos campeonatos vou lutar com faixas pretas. – revela sobre a mudança de qualificação.

A convite de atletas integrantes da equipe de Cicero Costha de São Paulo, Mel passou o reveillón longe do verão brasileiro e da família e amigos para viver pela primeira vez uma experiência em solo europeu. Com escala na Bélgica, onde enfrentou o rigoroso inverno do hemisfério norte e temperaturas negativas treinando na filial “Renaissance” do mestre Costha, a multicampeã, no entanto, não conseguiu cumprir sua meta durante a estadia prevista para três meses e abreviada em pouco mais de 40 dias no Velho Continente.

– Consegui me inscrever para lutar o Grand Slam de Abu Dhabi, mas acabamos perdendo o voo, em janeiro. Depois fomos para Portugal para lutar o Campeonato Europeu. Por eu ter baixado muito o peso, eu lutaria na categoria até 62kg e baixei cerca de 10 kg, e com o frio, acho que baixou muito a minha imunidade, eu me senti mal, fraca, com febre. Cheguei a ir lá, mas não tive como lutar, com quase 40 de febre. Foi muito frustrante. Mais uma vez aconteceram coisas que desmotivam. – lamenta Mel.

De volta ao Brasil, Cueto estreou na nova faixa com uma medalha de ouro, obtida na Copa Copa Kyra Gracie, disputada em março, no Rio de Janeiro (RJ), no seu último grande teste antes de enfim, viajar até os Emirados Árabes Unidos e competir no World Pro, que pagará 10 mil dolares à campeã em sua categoria, e apagar uma página das mais tristes de toda a sua vida, como ela mesmo define, depois de passar pela humilhante frustração junto a um grupo de cerca de 30 brasileiros, que, sem receber o visto dos responsáveis da Federação Brasileira de Jiu-Jitsu (FBJJ) a tempo para embarcar, não conseguiram deixar o Brasil para a disputa que oferece a maior premiação entre as competições mundiais de jiu-jitsu, na edição de 2017.

– Foi uma das maiores frustrações, não só no jiu-jitsu, mas na vida. Quando eu lutei a seletiva em Manaus eu já vinha pensando em parar, pois já não sabia se teria dinheiro pra lutar as competições que gostaria, mas aí consegui fazer uma rifa, fui para Manaus e ganhei a passagem e assim, novamente me motivei. Estava treinando muito, muito focada e confiante que conseguiria ganhar. A minha consolação foi de poder descontar na comida, já que eu vinha quase passando fome. Eu tive que achar motivação  na desmotivação para ir no Brasileiro que era logo depois. Fiquei três ou quatro dias chorando em casa sem aparecer na academia, fiquei mal mesmo. – confessa.

Campeã de uma das seletivas nacionais na temporada passada, o Brazil National Pro Jiu-Jitsu Championship 2017, a acadêmia de Educação Física teve assegurado o direito de realizar o sonho na edição de 2018 do evento no país árabe. Já com a passagem em mãos para o embarque previsto para o próximo dia 19, Mel recebeu nesta quarta (11/04), a confirmação da emissão do visto para, finalmente, pisar nos tatames mais desejados pelos competidores da arte suave, já defendendo a sua nova equipe, a Thork Jiu-Jitsu, o que simboliza outra mudança na trajetória da agora ex-brocadora, como são chamados os atletas da Drill BJJ.

– Conversei com o pessoal e aconteceram algumas coisas meio chatas, mas pra mim, foi melhor. Sou muito grata ao Kapincho (líder da Drill BJJ School), fiz toda a minha base lá, mas hoje em dia, pra mim é melhor onde estou treinando. Hoje o Kapincho é envolvido com outras coisas, ele vai na academia dar aula umas duas ou três vezes por semana, não é mais o que ele faz todos os dias e pra mim estava fazendo um pouco de falta esse papel de professor, de me puxar. Não só na minha vida, mas com todos atletas, acontecem muitas coisas para desmotivar e faz falta alguém que vá te puxar, te cobrar. – justificou a mais nova integrante da Thork JJ.

Mel Cueto embarca na próxima semana para os Emirados Árabes Unidos. Foto: Diogo Viedo/EsporteSUL

Com as malas prontas para atravessar o globo em busca de uma premiação que ultrapassa R$ 30 mil, pouco comum para esportes amadores, a participação no Abu Dhabi World Professional Jiu-Jitsu Championship marcará o início de uma maratona de grandes desafios para Mel, já que, pouco depois, entre os dias 1º e 6 de maio, ela encara em Barueri (SP), o Campeonato Brasileiro da CBJJ, e ainda terá que vencer mais uma batalha dura fora dos tatames para conseguir recursos suficientes e voltar pela quarta vez à California (EUA), para tentar a tão sonhada medalha no Mundial da IBFJJ no evento que acontece entre 29 de maio e 3 de junho, com promoção de ações entre amigos e venda de produtos alimentícios feitos por ela mesmo, que já se tornaram uma rotina para a mais vitoriosa competidora da história do jiu-jitsu santa-mariense, que garante ter superado as decepções do passado e se mostra confiante em bons resultados, mesmo precisando encarar uma pré-seletiva com pelo menos outras cinco brasileiras para entrar na chave principal do torneio que só admite dois competidores de cada nacionalidade.

– Seria menos difícil competir na roxa, mas, profissionalmente, como marrom será melhor para o meu crescimento enfrentar faixas pretas, eu gosto de desafios. Então, acredito que tudo tem sua hora e hoje me sinto melhor preparada. – aponta.

Com a faixa roxa amarrada na cintura, Mel conquistou em 2017 nada menos que 15 medalhas só entre grandes competições nacionais e internacionais, como o ouro no Abu Dhabi Grand Slam Rio, no Rio de Janeiro, o ouro na categoria e a prata no absoluto no Campeonato Sul-Americano de Jiu-Jitsu, em São Paulo, o título do Brazil National Pro Jiu-Jitsu Championship, em Manaus, o primeiro lugar na categoria e absoluto do Floripa International Open Jiu-Jitsu IBJJF Championship, em Florianópolis, a prata no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, em São Paulo, o ouro na categoria, prata no absoluto, ouro na NoGi e ouro no Absoluto NoGi no Floripa Spring International Open, também na capital catarinense,  além do ouro na categoria e absoluto na 3ª Copa EsporteSUL e ainda os títulos na classe e absoluto da quinta etapa da Copa Prime.

Melissa Cueto será a única representante de Santa Maria a participar do Mundial em Abu Dhabi. Foto: Bruno Tech/EsporteSUL

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