GRENAL: O clássico em números

O texto de hoje irá falar sobre o maior clássico do futebol brasileiro: o GRENAL. O jogo será abordado de uma forma de fácil entendimento e totalmente isenta, sendo uma leitura agradável mesmo para o mais fanático dos Gremistas ou o mais apaixonado do Colorados. Se você não torce para nenhum dos dois, ótimo; a conversa de hoje é mais tranquila do que assistir cobranças de pênaltis (quando não é da nossa equipe, obviamente).

Antes de mais nada, o GRENAL 416 foi um bom jogo de futebol. Foram duas partidas em uma: de um lado um Grêmio bastante ofensivo contra um Internacional esperando os contra-ataques. Nos dois tempos de jogo, o Grêmio buscou estruturar seus ataques por meio da Organização Ofensiva, privilegiando o toque de bola nos dois quartos finais do campo (zona ofensiva), e algumas poucas infiltrações corretas. Ficou bastante evidente que a movimentação do Grêmio tornou-se limitada pelo posicionamento defensivo do Inter. Em alguns momentos apenas Leandro Damião ultrapassava a linha de meio campo, tentando um desarme ou interceptação (com pouco sucesso). O resultado das ações da dupla resultou em 72% de posse de bola para o time de Renato Portaluppi, contra 28% para a equipe de Odair Hellmann. Mais importante que esses números, são os números a seguir: o Grêmio conseguiu manter a posse de bola na zona ofensiva de ataque (44,69%), local em que realmente as ações ofensivas podem ter algum efeito na partida. Em contrapartida, o Inter obteve apenas 11,88%, reflexo do claro jogo defensivo apresentado.

Odair Hellmann pensou bem o jogo. O treinador organizou de forma defensiva a sua equipe e buscou atrapalhar o toque de bola do qualificado meio campo do Grêmio, matando as jogadas sempre que possível. Mesmo que Zeca não tenha feito uma partida com destaque, no período em que aguentou, conseguiu auxiliar na marcação do meio campo adversário. Ao contrário, Rodrigo Dourado dá ares de que parou no tempo. O (ainda) jovem jogador parece que esqueceu os princípios básicos de um bom meio campo (os quais ele mesmo apresentou na temporada de 2015): bom posicionamento, passes precisos e minimizar as faltas desnecessárias. Dourado cometeu diversas faltas, principalmente por estar mal posicionado em campo e, também, errou diversos passes – muitos deles, passes simples. Talvez Odair precise repensar a função do jogador. Ainda que o trabalho seja recente e a equipe esteja sendo remodelada, falta ao treinador a capacidade de ajustar de forma satisfatória todos os momentos da equipe durante a partida, não apenas a organização defensiva. Com o passar do jogos, o Internacional precisa apresentar alguma melhora, principalmente nas fases ofensivas.

Renato Portaluppi, por sua vez, buscou alterar o menos possível a equipe gremista. A troca de Ramiro (suspenso) por Alisson era a escolha mais óbvia; Madson no lugar de Leonardo Moura (lesionado), também. De forma geral, toda a equipe gremista fez um bom jogo. Marcelo Grohe não foi exigido, poderia ter voltado para casa sem tomar banho – pouco trabalhou na partida. Todos os setores funcionaram no jogo de sábado, entretanto, o problema apresentado no jogo contra o Atlético Paranaense, voltou a ocorrer: muita posse de bola, muitos passes certos, algumas (boas) finalizações, mas faltou o gol. Renato precisará buscar alternativas para conseguir marcar em equipes mais retrancadas. Da mesma forma, talvez seja necessário repensar o papel do esforçado Madson, o qual não consegue ter o mesmo desempenho de Leonardo Moura (13 anos mais velho). Madson tem velocidade, bom drible e participa muito da partida, entretanto as suas tomadas de decisão ainda estão bastante abaixo do apresentado pelo seu concorrente direto pela posição.

Quase cinquenta e dois mil torcedores puderam presenciar o quarto GRENAL do ano (2 vitórias do Grêmio, 1 vitória do Inter e 1 empate). Até o momento, foi o único que terminou em 0x0, mas nem por isso deixou de ser bem jogado, cada equipe com sua estratégia. Faltou ao Grêmio maior movimentação na zona ofensiva de campo e, talvez, menos ansiedade na tentativa de marcar o gol. Quanto ao Inter, fica a boa atuação defensiva, a qual serve de alento aos torcedores para as próximas partidas.

No futebol o imponderável é o 12º jogador de cada equipe. Mesmo que uma seja muito superior a outra, alguma coisa sempre pode dar errado. No GRENAL 416, ele não entrou em campo!

Fábio Saraiva Flôres é professor de Educação Física formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É professor do Centro de Educação Física e Desportos da UFSM e aluno de doutorado na Faculdade de Motricidade Humana em Lisboa. Atua profissionalmente como pesquisador e observador na área do Futebol desde 2010. É observador nível 1 da Professional Football Scouts Association (PFSA) da Federação Inglesa de Futebol.

 

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