Especial da Copa: Ficaram os melhores!

A Copa do Mundo da Rússia está chegando ao seu final. Temos apenas mais alguns dias para desfrutar de uma competição que está sendo sensacional. Como dito no texto anterior, as seleções previamente favoritas ao título estão ficando pelo caminho – dessa vez foi o Brasil deu adeus à disputa (restam duas das favoritas – França e Bélgica). Mais do que isso, a Copa da Rússia pode ficar marcada por apresentar mais um campeão inédito (caso Bélgica ou Croácia vençam).

Das oito equipes que chegaram até as quartas de final na Copa do Mundo de 2014, apenas Brasil, Bélgica e França conseguiram repetir o feito na atual edição. Diferentemente da última copa, dessa vez Bélgica e França conseguiram avançar para as semifinais. As outras duas semifinalistas são a Croácia (não chegava tão longe desde 1998), e a Inglaterra (ficou em último lugar no seu grupo na copa do Brasil, ou 26º colocado, como preferirem).

A edição de 2018 traz, também, algo novo. As equipes estão mudando suas formas de jogar, estão deixando de lado alguns conceitos que podem estar ficando ultrapassados (linha com quatro zagueiros, maior quantidade de posse de bola, maior número de passes trocados, falso 9, dentre outros). O simples fato de ter a ampla posse de bola frente ao adversário não explica mais quem será o vencedor da partida (nesse sentido, a Espanha precisará se reinventar). Se, nas edições anteriores o que influenciava era a quantidade de posse de bola, ou a quantidade de passes certos, a copa da Rússia está mostrando que isso pode não ser mais fundamental.

Olhando friamente os números podemos ter uma percepção errônea, entretanto vamos olhar um pouco mais afundo o que eles realmente estão nos dizendo. As quatro equipes possuem mais de 50% de posse de bola, em média. Apesar disso, não é uma posse de bola exageradamente superior, como apresentada pela Espanha (60%) em edições anteriores. Ademais, a seleção Francesa venceu duas vezes tendo menor posse de bola (43% – Peru; 39% – Argentina). O mesmo ocorreu com a Croácia (43% – Argentina), com a Bélgica (49% – Tunísia; 42% – Brasil), e com a Inglaterra (46% – Bélgica). Isso nos mostra que mesmo que as quatro equipes possuam a maior posse de bola em média, não significa que elas sempre irão vencer as partidas. A título de curiosidade: Grêmio e Real Madrid, os dois últimos campeões continentais tiveram menores posses de bola durante as suas competições continentais (46,5% e 47%, respectivamente).

Em relação aos passes certos, todas apresentam bons números. As quatro equipes acertam mais passes por jogo, do que a média da competição (377 passes certos). Muito tem se visto nas mídias esportivas sobre essa variável, mas entender o local onde esses passes são trocados, talvez seja mais interessante do que apenas enumerar a quantidade final durante as partidas. Mais números podem ser vistos abaixo.

Os confrontos em números

Um aspecto muito interessante a ser observado é a volta do centroavante (não o camisa nove estaca, parado na área). As quatro seleções finalistas utilizam centroavantes que sabem jogar (talvez a seleção francesa tenha o menos interessante deles), que participam de diversas jogadas, sabem jogar com a bola nos pés e finalizam como poucos outros atacantes do futebol mundial. Harry Kane da Inglaterra é o artilheiro da competição (até agora foram 6 gols em 4 partidas disputadas). O centroavante inglês tem uma média de 1.5 gols por jogo e precisa de apenas 2.3 chutes para marcar um gol, dados que são fantásticos para um atacante inglês. Outro jogador que chama a atenção, se não pela quantidade de gols marcados, mas pela participação durante a partida é Mario Mandžukić. O croata é um jogador extraclasse, ele marca, ataca, apoia e defende sempre com a mesma intensidade. É um jogador fundamental no esquema de jogo da sua seleção.

Romelu Lukaku é, talvez, o jogador com uma das melhores histórias de vida dessa copa. Autor de quatro gols em quatro partidas, o gigante belga vem ajudando sua equipe a alçar o que era esperado desde a última edição (no Brasil, Lukaku marcou apenas 1 gol durante a participação de sua seleção). Finalmente, o contestado centroavante francês vem dando conta do recado, mesmo ainda não tendo marcado seu primeiro gol na competição. Olivier Giroud, por sua vez, tem outra tarefa: abrir espaços e segurar a marcação adversária para as rápidas infiltrações do habilidoso ataque francês.

As quatro seleções semifinalistas são, sem dúvidas, as quatro melhores dessa edição. Talvez os números apresentados não sejam os melhores da competição, mas em relação ao jogo como um todo, a parte tática, técnica e a organização apresentada por Bélgica, França, Croácia e Inglaterra não deixam nada a desejar para os amantes do futebol. É de se esperar que os jogos que ainda estão por vir sejam disputados com muita intensidade e emoção. Quem sabe não teremos uma final entre duas seleções que ainda não levantaram a taça?

Semana que vem saberemos e será possível analisar o que podemos esperar da final. Até breve!

Fábio Saraiva Flôres é professor de Educação Física formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É professor do Centro de Educação Física e Desportos da UFSM e aluno de doutorado na Faculdade de Motricidade Humana em Lisboa. Atua profissionalmente como pesquisador e observador na área do Futebol desde 2010. É observador nível 1 da Professional Football Scouts Association (PFSA) da Federação Inglesa de Futebol.

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