“Ser ou não Ser, eis a questão”

Aos 30 minutos do segundo tempo na Arena de Copa do Mundo da FIFA, o Corinthians estava sendo eliminado da Copa do Brasil. Na sua segunda fase e com a vantagem do empate, o clube paulista, referência em todo o Brasil, via os atletas do Avenida de Santa Cruz do Sul exercer perfeitamente a estratégia de Fabiano Daitx. Até que o dono da casa encontrou uma falta na entrada da área, destas muito boas para uma jogada de gol.

Naquela altura, o histórico Avenida já jogava contra o ímpeto do adversário (a pressão dos seus torcedores, "felizes" pela precoce eliminação), e inclusive contra a narração da transmissão do jogo para todo o país via televisão aberta. Houve quem gritasse gol em bola parada que tocou a rede, pelo lado lado de fora (tipo de fundamento inaceitável por parte de profissionais referência e de gabarito), mesmo que naquele momento o clube da casa tenha precisado do esforço sobre humano de um atleta de Copa do Mundo para descontar e ir com a esperança de 1x2 para o vestiário.

Até que a falta foi cobrada, a bola desviada do goleiro e o alívio tomasse o bairro. A pressão ainda impôs o castigo de sofrer mais dois gols ao clube do interior gaúcho, porém, a história já havia sido escrita. O Avenida ganhou sua temporada em um jogo que foi eliminado. Algo que aconteceu ano passado, quando eliminado nas semi finais do Campeonato Gaúcho na Arena do Grêmio e com o título da Copa FGF. Os bravos atletas abandonaram a competição com suas cabeças erguidas.

Histórias como a da semana que passou são as possibilidades reais para clubes como o Avenida. Quem não se lembra do histórico 3x0 de 25/03/1982 do Alvirrubro santa-mariense sobre o Clube de Regatas Vasco da Gama? Mesmo que 15 dias antes o clube carioca tenha imposto notáveis 7x0 ao Inter-SM no Maracanã, o "troco" colocou o clube no cenário nacional por se impor ao grande adversário dentro de uma competição nacional.

A reflexão que cabe é se os clubes estão preparados para feitos como este. E mais, se estão de fato preparados e com os pés no chão para aceitar que as poucas glórias possíveis estão oferecidas longe de jogos finais. Com seus "títulos" condicionados a jogos que não valem muita coisa para a competição em questão, ou guardarão derrotas em sua memória com carinho. Ser ou não ser um humilde, disposto a fazer história e guardá-la em si da forma que ela for escrita, eis a questão. Aos bravos a coragem de transformar derrotas em vitórias.

Vinicius Geissler é psicólogo formado pelo Centro Universitário Franciscano e Coaching graduado pela SLAC. Atua na área esportiva desde 2013 e escreve nas horas vagas.