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ESPECIAL: Técnico Leonardo Ribeiro avalia trabalho após 100 dias da volta do Riograndense

Leonardo Ribeiro. Foto: Bruno Tech/EsporteSUL

Completados 100 dias após o retorno às atividades com o futebol à frente do Riograndense, o técnico Leonardo Ribeiro, que assumiu a difícil missão de comandar a retomada profissional do Periquito concedeu entrevista exclusiva ao EsporteSUL e revelou suas impressões, preocupações e avanços do trabalho que recomeçou nos Eucaliptos mirando a disputa da Terceirona em 2020.

EsporteSUL: Passados três meses do início do trabalho, em relação à formação do elenco. Em que estágio consideras a evolução do trabalho com o grupo, tendo em vista a média de idade bem baixa do elenco?

Leonardo Ribeiro: Podemos dizer que desde 2017 ficamos engasgado pela maneira que terminamos a competição, tanto para o clube quanto para nossa carreira, pois tivemos um turno todo com 76% de aproveitamento e parece que ficou pela metade. Fui acusado por ser culpado pelo fechamento do clube. Quando o Nei Carvalho (diretor executivo) me procurou com um projeto que todo treinador gostaria de participar, mas sabendo do risco que o futebol nos traz, tendo um grupo muito jovem que joga só no amador da cidade, tendo um grande desafio que é formar jogador, indo contra a maré, pois na maioria é mais fácil pegar jogador pronto do que fazer. Você perde muito tempo, pois tem que ensinar tudo. O menino traz sua valências, mas elas precisam ser lapidadas e isso demora muito e nem todos vão se adaptar. Hoje posso dizer que meu trabalho com o grupo está com 30%. Sabemos que muitos meninos querem ser jogador mas não a responsabilidade do jogador, e isso só vão pegar com tempo e estando junto com profissionais mostrando bons exemplos e dedicação deles porque você mata um leão por dia.

EsporteSUL: Sobre o aproveitamento para a Terceirona e dentro do que se pôde observar nos dois primeiros amistosos (empate em 2 a 2 com a seleção de Caçapava do Sul e 1 a 1 com o Vasco da Gama de Lavras do Sul), o elenco já tem a sua espinha dorsal ou ainda precisará de muitas peças?

Leonardo Ribeiro: Depois de dois amistosos podemos dizer que temos uma base, claro que vamos ter que buscar peças para poder jogar uma competição. Algo bom, pois não vamos precisar partir do zero. No dia 15 de dezembro vamos encerrar o ano e entregar um relatório para  a direção pedindo os reforços e indicando os meninos que irão ficar. Tenho falado para eles que temos um time que faz força para jogar e não que saibam jogar bola. Tanto que nos dois amistosos saímos perdendo e fomos buscar. Digo que o futebol é matemática: quem errar menos ou aproveitar melhor as oportunidades sai vencedor. Sei das dificuldade do clube e espero que as pessoas também entendam o projeto da volta do Riograndense, pois é muito fácil cobrar, mas o mais importante para nós da comissão técnica e voltar a jogar uma competição oficial.Claro que não sou irresponsável de dizer que não quero chegar, mas isso eu coloco na minha conta, não na dos jogadores. Esse projeto deveria ser de dois a três anos, já que é de base.

Leonardo Ribeiro iniciou a montagem do grupo em julho e avaliou mais de 100 jovens atletas. Foto: Bruno Tech/EsporteSUL

EsporteSUL: O trabalho iniciou com uma comissão técnica completa. Mesmo sem receber salários, os profissionais vieram ao Riograndense acreditando no Leonardo. Passados três meses, acreditas que a comissão terá condições de se manter numerosa até a temporada 2020?

Leonardo Ribeiro: Ninguém faz nada sozinho e digo que eles são mais loucos que eu, pois compraram a ideia. Estamos juntos nesse projeto que, para muitos, é pequeno, mas para nós é muito grande. Já tinha o preparador físico Felipe Rodrigues, depois veio o Lucas Padylha e, como ele bate muito na bola, convidei para preparador de goleiro, que já trouxe o Guilherme Rodrigues. Sempre é bom ter uma mulher no grupo e trouxemos a Ana Paula da Silva para ajudar o Cristopher Suhre como analista de desempenho. O Mário Fernandes voltou para o clube como roupeiro e fomos buscar o Márcio para ser o massagista e o fisioterapeuta Emmanuel Xavier. Ainda temos o Alexandre Segatto, que nos dá ajuda na parte tática junto com o Bil. Tenho mais comissão do que jogador, e todos qualificados nas sua áreas, sabem o que tem que fazer e estamos aprendendo juntos com o desafio do vestiário. Espero contar com todos para 2020, até porque é uma engrenagem, a hora que perde uma para tudo. Muitos clubes não têm comissão desse nível, me orgulho muito, mas digo: a responsabilidade está sempre aumentando.

EsporteSUL: Sabe-se que o Riograndense ainda luta para reformar o estádio e fornecer condições adequadas para o desenvolvimento do futebol profissional a tempo de confirmar a participação em 2020. Que melhorias o clube já evoluiu desde julho? 

Leonardo Ribeiro: Tenho a palavra do diretor de futebol Nei Carvalho e do presidente que vamos jogar e há cobrança de muitos torcedores. Se cada um fizer a sua parte, vamos voltar sim. Já mudou muita coisa, às vezes as pessoas olham de fora e pensam que está atirado. Tem coisa para fazer e o clube está em obras, mas hoje temos um vestiário para a gurizada, uma sala só para a comissão. Nem vou falar muito, acho que o torcedor tem que ir na sua casa e ver o que ele está fazendo e ajudar.

EsporteSUL: Como está essa sinergia com a diretoria em relação ao trabalho? 

Leonardo Ribeiro: Tenho falado que a responsabilidade do time é minha. O vestiário tem dono, não gosto de passar para terceiros e não tenho problema, até porque sempre digo: se você trabalha, uma hora aparece. Não é para ter cobrança hoje de resultado, isso fica para mim, pois é começo de trabalho e a direção tem que ter esse entendimento. Mas, sabemos que lidamos com paixão e na hora que a bola rola muda tudo. O que eu estou vendo hoje é uma direção acompanhando o time, tendo um diretor enlouquecido, deixando muitas vezes sua casa para se dedicar ao clube e mais: cada um no seu setor e o mais importante: tendo o respeito. Sem isso, um trabalho não vai para a frente. Posso dizer para o torcedor e conselheiros do clube que no que depender de nós, vamos honrar essa camiseta de 107 anos, que é muito grande. O maior de tudo é voltar a jogar uma partida oficial, senão, todo trabalho e esforço não vai valer a pena.

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