Santa-marienses superam todos desafios do Morro Tapera na abertura do Campeonato Gaúcho de Trail Running

Prova abriu a temporada 2020 da principal competição de trail running do estado

(Foto: Bruno Tech/EsporteSUL)

O debut da Equipe Ideia Fixa de Trail Running, a primeira oficial da modalidade em Santa Maria, no Campeonato Gaúcho de Trail Running 2020 foi realmente inesquivável. Não só pelos resultados alcançados, mas também por toda experiência obtida e superação dos atletas do Coração do Rio Grande ao desafiarem uma das provas mais temidas do estado e sul do país.

No total foram seis pódios entre as categorias por faixa etárias e dois pódios gerais para a equipe de Santa Maria alçados Morro Tapera, na zona sul de Porto Alegre, pela etapa de abertura da disputa estadual que colocou os participantes a testarem seus limites por meio de trilhas, subidas, descidas e muitos obstáculos naturais.

Os principais destaques foram Ivonir Gulart, grande campeão na prova de 11km com o tempo de 1h51min38seg, e Clarice Schuler, que também é técnica da equipe e acabou na terceira colocação entre as mulheres nos 6km com 55min16seg.

Agora o Campeonato Gaúcho de Trail Running ruma para Morro Reuter, local da segunda etapa. A competição ainda irá passar na temporada por Santa Maria do Herval, Taquara, Nova Petrópolis, Gramado e Sapiranga.

Confira abaixo os depoimentos enviados por parte dos integrantes da Equipe Ideia Fixa de Trail Running:

"É um mundo diferente, só experimentando para saber como é. Eu até a hora da largada estava me perguntando como seria, estava apavorado, não pelas subidas que eu ia enfrentar, mas como medo de cair uns tombos na descida. Nas subidas foi tranquilo, mas nas descidas caía e levantava a todo momento. Deu até para perder o medo de cair. Sem dúvidas é incrível correr no meio da natureza. Eu senti como se fosse a primeira vez que eu fosse correr na vida. Só senti o mesmo frio na barriga quando fui competir a minha primeira prova de rua. Gostei muito, sempre gostei de algum desafio e subir o Morro Tapera foi a coisa mais desafiadora que já fiz. Nunca corri com tanto medo. Foi um alívio quando cheguei. Na hora eu fiquei pensando, é muita loucura fazer uma corrida dessas, mas logo depois já estava ansioso para o próximo desafio." - Darlan Weber

"Uma sensação inexplicável de alegria por conseguir participar e superar um morro tão temido." - Andreia Schuster

"Já corri alguma prova de trail, mas essa superou as expectativas. Antes da largada me mantive calmo, pois não sábia o que viria pela frente, mas como nossa professora (Clarice Schuler) falou vamos desafiar o Morro Tapera com técnica e garra. Foi o que eu fiz, não sai forte porque não sábia o grau real da subida. Corri a primeira subida com calma, comecei a analisar e vi que seria difícil. Foi aí que me lembrei das dicas da professora de colocar as mãos na pernas e empurrar para cima. Fui passando alguns que não tinham força para subir. Quando deu a primeira descida vi que seria a minha chance de obter posições e foi o que fiz, comecei a descer forte, sem me agarrar em nada para obter ultrapassagens pulando em zigui-zague . Fui contando um, três, dez, trinta, até chegar 80 pessoas ultrapassadas até o fim da corrida. Na minha cabeça eu estava em terceiro lugar na categoria mas fui o sétima na categoria e trigésima quinta geral. Foi bom para mim uma dimensão de quase 300 atletas nessa corrida curta de 6km. Só pela próxima." - Rodrigo Nicolosso

"Para mim foi uma experiência incrível. Apesar de eu já ter feito trilha, esta de sábado foi inesquecível. O contato com a natureza, o desafio, a vista maravilhosa lá de cima, a alegria de terminar a prova foi comparável à meia maratona de Passo Fundo. A parceria do grupo antes, durante e depois da prova, tornaram a prova única. O único ponto negativo a destacar é de que agora, correr no asfalto parece ser sem graça." Wagner Winter

Equipe Ideia Fixa de Trail Running após encarar e superar a etapa de abertura do Campeonato Gaúcho. (Foto: Arquivo Pessoal)

"Tudo é um aprendizado. Fui para uma prova que não sabia o que ia acontecer. No primeiro quilometro parecia que estava travado. Aos poucos fui melhorando. Vi a professora se distanciando e pensei "o bicho vai pegar". Fui na fé e com a intenção de não parar. A colocação no momento não importava, só queria terminar bem. Lá no topo vi a professora e as pernas já estavam queimando a cada berro que ela dava. Era como um nitro que me impulsionava. Fantástico. Descobri na prática que não importa o quanto te coloque para baixo. Se superei o Morro Tapera junto com a manada que pertenço, nada mais me põe para baixo. Amanhã vai ser melhor que hoje". - Edson Quevedo

"Fica difícil explicar tudo que passou na minha cabeça. Comecei a prova destemido, largando forte e quando me aproximei do primeiro obstáculo pensei, "meu Deus vem coisa pesada pela frente". Mas quando você começa a subir o único barulho que você escuta são as pessoas te incentivando a ir mais e mais. Mesmo sendo uma competição notei o quanto um respeita o outro. O contato com a natureza, a vista, a energia, tudo isso eu encontrei nessa prova. Dito isso nada supera você chegar nos metros finais e ver nossos professores orgulhosos, de longe a professora Clarice gritando, fazendo toda a dor que eu sentia passar, a equipe toda apoiando e incentivando, o professor Alan aguardando um por um pra dar aquele apoio final. Resumindo, foi perfeito e já quero ir de novo." Douglas Barbosa

"É difícil descrever a experiência de ter vivido o Tapera, um morro que, apesar de desafiador, recompensava, a cada instante, todo o esforço que eu fazia para me equilibrar, caminhar, correr, respirar. Com uma vista fantástica, de, literalmente, tirar o fôlego. Conhecer o Tapera e suas curvas, ladeiras, pedras, me possibilitou contemplar a imensidão da natureza em oposição à cidade, à correria, aos problemas do dia a dia, a mim mesma, à minha pequenez. Foi demais! Conviver com a minha equipe que incentiva, torce, vibra com as conquistas de todos tornou essa experiência ainda mais cheia de significado. Obrigada, Ideia Fixa/Búfalos Team Race, obrigada, Tapera! Respeito e amor à montanha." Helene Guerra

"No último sábado, numa espécie de contradição, saímos do universo de concreto e cimento, de Santa Maria que fica em meio à zona rural, no interior do estado, e fomos subir morro e correr trilha no meio do mato, em Porto Alegre, que é uma das capitais mais urbanizadas do país. Ainda sem muita ideia do que encontraria no caminho, começo a me preparar. Meião cobrindo toda canela para proteger de galhos, mochila de hidratação com um litro de água nas costas, e apito para emergências. Pergunto para a Clarice, nossa treinadora, se havia alguma dica de última hora para a subida. Ela olha bem séria para mim e explica que nas subidas fortes é melhor caminhar, e seguiu explicando como apoiar a mão na coxa para ter mais força. Pensava eu, em minha ignorância, que a preocupação dela era eu correr demais, e ficar sem fôlego para correr onde o terreno permitisse. Depois da largada não demorei para descobrir que nas subidas fortes, correr não era uma opção. A alternativa, na realidade, era sentar numa pedra por alguns minutos para recuperar o fôlego, como acabei fazendo diversas vezes. Para evitar tombos, subia concentrado no chão à minha frente, para saber onde pisava. Depois de alguns, olhava para cima, percebia que atrás do cume se revelava mais outro cume, e mais acima, ainda outro. E cume após cume os corredores enfileirados iam diminuindo, até parecerem formiguinhas rastejando lá no alto. Em certo momento uma corredora à minha frente apoiou o pé numa pedra para dar mais um passo, hesitou, suspirou, e girando 180 se sentou numa pedra olhando para trás. Chegando no mesmo trecho, tento motivá-la, dizendo "vamos lá, falta pouco!", piso na mesma pedra, perna não responde, e sem fôlego giro e sento ao lado completando "mas também vou sentar um pouquinho". E como numa espécie de teletransporte, aquele giro, nos remove do universo das paredes de grama, pedras e cascalho centímetros à frente, para uma imensa vista de campos, água e morros se encontrando com o céu até onde a vista alcança. Subir o morro Tapera certamente me trouxe outro significado à frase "paisagem de tirar o fôlego". - Rodrigo Guerra

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