Os impactos do coronavírus no esporte santa-mariense

EsporteSUL conversou com representantes de dez entidades e equipes locais sobre os reflexos da pandemia do Covid-19 no Coração do Rio Grande, do momento de readaptação ao cenário de isolamento, dos prejuízos de dimensões ainda incalculáveis e sobre a sequência do calendário em suas respectivas modalidades

O período de isolamento social em razão do novo coronavírus mudou a rotina da maioria das pessoas ao redor do mundo. E, se para a população em geral as incertezas continuam em meio a pandemia, os esportistas também convivem com a angústia de não saberem quando seus treinos e competições serão retomadas. Não há definições de calendários, conclusão dos que já foram iniciados ou início dos campeonatos que ainda estão ou estariam por vir.

Mais do que isso, e motivo ainda maior de preocupação para alguns clubes, entidades ou atletas, está o prejuízo financeiro ocasionado por conta desta suspensão das atividades e consequentemente de perdas de patrocínios e cotas de apoiadores, desenhando um cenário aterrador para muitos. Uma sombra do coronavírus que pode fazer com que camisas e bandeiras pesadas do esporte local sucumbam.

Neste cenário forçado em razão da disseminação do Covid-19, as mudanças de hábitos, criatividade e reinvenções das atividades são fundamentais. A grande maioria dos clubes e atletas que já estavam com a temporada em andamento seguem os treinos agora à distância, nos chamados treinos caseiros, sendo acompanhados por preparadores e treinadores através das redes sociais, já que mesmo reclusos em suas residências os atletas precisam se manter em forma.

E sobre todos este pontos e impactos da pandemia no esporte santa-mariense que o EsporteSUL conversou com representantes de clubes locais, todos com trabalhos e atividades suspensas, para saber como estão lidando com o coronavírus internamente e o que esperavam para o futuro como reflexo em suas respectivas modalidades. Efeitos estes que serão diferentes para cada entidade, mas que unem todas equipes e atletas nos cuidados tomados e na esperança da vitória neste verdadeiro jogo pela vida.

Confira abaixo o depoimento dos técnicos e dirigentes santa-marienses:

RICARDO LEAL (CATILA) - TÉCNICO DO CORINTIANS/ASIBA

"Em relação ao nossos treinamentos já fazem três semanas que os meninos estão treinando em casa, em seus domicílios. Temos o nosso preparador físico que está a toda semana construindo novos treinamentos para que de alguma forma eles estejam dando continuidade ao trabalhos que começamos. Óbvio que não é o treinamento ideal em função de não estarem na quadra, porém é para que tenhamos esta continuidade. Lá no início da temporada fizemos testes e avaliamos quais grupos musculares precisavam trabalhar, estávamos trabalhando em função disto e estamos dando continuidade. Quando nos retornarmos vamos fazer os retestes para saber como estão suas condições físicas e dar continuidade a este trabalho que eles estão fazendo em casa. Enviamos treinamentos e pedimos o retorno deles através de vídeos postados nas redes sociais e isto está tendo um belo retorno.

Já com relação ao futuro, em um primeiro momento precisamos que os atletas fiquem em casa fazendo seus treinamentos para que na volta estejam saudáveis e em condições de retornar. Acho que as competição não devem ser canceladas e sim, adiadas. Até porque trabalhamos com jovens em fase de desenvolvimento, onde se não houver competições o nosso trabalho, que tem como maior proposta a formação não só da parte técnica como a atividade física como promoção da saúde, será interrompido. Para os nossos patrocínios, incentivadores e colaboradores, também e importante que estas competições aconteçam."

LORENZO LAPORTA - TÉCNICO DA AABB/CNA/NV

"Estamos vivendo um momento de insegurança e incertezas, porém é um momento de trabalhamos de forma coletiva. Ou seja, permanecendo em casa para cuidar da gente e do próximo. Isto é uma forma coletiva. Até porque nenhum atleta está isento de apresentar sintomas e transmiti-los. Estamos tentando nos da AABB/CNVA/NV manter as atividades físicas em casa, com exercícios de prevenção, mobilidade e também destinados a manter a forma física. Minha projeção para o futuro é que nos mantenhamos em casa neste momento, que logo logo consigamos voltar as atividades diária com saúde e acima de tudo juntos"

VITOR DIAS - PRESIDENTE DO CLUBE DE ORIENTAÇÃO DE SANTA MARIA (COSM) E DO CONSELHO MUNICIPAL DE ESPORTES

"É bem difícil falar neste momento porque são muitas incertezas. O Campeonato Brasileiro foi cancelado, ainda não tem data, e os outros campeonatos de orientação no mundo inteiro foram cancelados. Paramos todo o calendário do COSM até que tenhamos condições de realizar algum evento. Estamos na expectativa da OMS que diz durar 3 a 4 meses o surto. Nossa precisão é fazer primeira etapa do Campeonato Municipal de Orientação em julho, mas só iremos fazer algo se a pandemia for erradicada por completo. Financeiramente vai ser complicado porque não recebemos as anuidade e depois desta crise vamos avaliar como vai ficar. Já quanto a treinamentos, os atletas de elite está correndo até na volta dos prédios internamente e fazendo funcional em casa, os que moram em casa estão conseguindo fazer mais atividade pelo que temos de relatos.

O futuro é incerto e difícil de planejar, mas prometemos que assim que passar a pandemia iremos fazer o máximo de atividades possíveis aos nossos atletas. Na minha opinião, quem não tem grupo de risco em casa, podeira dar uma corrida bem cedo ou mais a noitinha quando não tem ninguém na rua e ao chegar em casa fazer todos os precedimentos de higienização e segurança recomendados. "

LUIZ PAVANI - PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO SUL-AMERICANA DE JUDÔ

"A crise atual dizer que ela é ampla é falar pouco. Os impactos são tremendos. De certa forma ficamos até sestrosos de comentar os impactos que estão acontecendo e acontecerão no esporte em virtude desta crise envolver todas as pessoas em seus bem mais preciosos, em um primeiro momento a sua saúde e em um segundo momento a saúde financeira das famílias. Falar sobre o prejuízo esportivo parece um pouco banal, mas é nossa área e temos preocupação a hora que isto for dominado, o que esperamos ser o mais breve possível, que as pessoas possam voltar com suas atividades que tão importante são.

Uma das nossas grandes preocupações no momento é que a ausência da atividade física baixe a capacidade imunológica das pessoas e estamos recomendando que todos se mantenham em atividades. Sempre que possível fazer um exercício em casa. Que faça suas atividades, um pouquinho de exercício aeróbico sempre que possível. Já aos nossos atletas, do ponto de vista de um professor e de um técnico de uma equipe de competição, é bastante danoso para o planejamento que se faz dentro do ano. Será necessário um novo período de pré-temporada, o que passa por todos os esportes. Vai ser inevitável retomar este trabalho e há obviamente um prejuízo técnico, mas nada que não se possa recuperar.

Já do ponto de vista de dirigente algumas coisas não são resgatáveis. Alguns eventos não serão possíveis de resgatar este ano. Nossa previsão é dar continuidade no calendário em nível estadual e nacional também. A pergunta mais premente é a Copa Santa Maria de Judô, marcada para maio, no aniversário de Santa Maria, será possível realizar? Há quinze dias atrás eu diria que realizaríamos a copa nesta data, hoje eu diria que quase é impossível. Por mais que voltamos as atividades no início de maio ainda há uma necessidade de preparação. Esperamos não perder todo primeiro semestre, que o mês de junho já seja um mês de atividades, para que possamos fazer a retomada do calendário. Ninguém pode dar uma previsão agora, seria temerária, são nossas vontades.

Mas o principal de tudo isto é que todos nós estejamos com saúde e estejamos em uma condição financeira de se poder reerguer. A preocupação é comer e viver neste período mais caótico. Nos trabalhos através do projeto Mãos Dados com o extrato mais carente da nossa população, pessoas da nossa sociedade que trabalham de manhã para comer a tarde. E para esta parte da população a paralisação é extremamente danosa. Muitas vezes tira o sustenta da alimentação das famílias.

A gente roga para que tudo ocorra bem, que tudo aconteça da melhor maneira possível, sempre confiando nas nossas lideranças municipais, estaduais. Temos que resolver esta crise de uma maneira cientifica, temos que ser orientados pela ciência na melhor forma de agir para que possamos resolver isto o mais breve possível."

CLAUDEMIR FERNANDES (MANINHO) - PRESIDENTE DO UNIÃO INDEPENDENTE DE FUTSAL

"Nossa situação está totalmente indefinida. Começaríamos os treinamentos e contratações em abril de olho na Série Ouro que começaria em junho. Se isto permanecer por mais um tempo, essas interdições e paralisações, eu não sei se o União este ano jogará alguma competição em nível estadual. Perderíamos os nossos fornecedores e alguns patrocinadores, já que a crise aumentaria cada vez mais provavelmente. Esta é a situação do momento, uma posição da diretoria. Vamos torcer para que isto não dure muito tempo e que nos consigamos jogar pelo mesmo a Série Ouro, que pode acontecer no segundo semestre. Está é uma projeção nossa, mas que já teríamos também problemas com nossa comissão técnica, já que perderíamos o técnico Henrique Braibante que permanecerá no Inter-SM na Divisão de Acesso que voltaria também no segundo semestre. Temos muitas indefinições e não é muito boa a expectativa a nível de futsal para o União Independente neste ano de 2020."

JONAS HARTMANN - PRESIDENTE DO SANTA MARIA SOLDIERS

"Os impactos estão afetando não só as equipes do esporte mas como também economicamente e socialmente. Está tento um grande impacto em nível mundial e aqui não iria ser diferente, já que Santa Maria é uma cidade com uma sazonalidade de pessoas muito grande devido aos quarteis e universidades sabemos do impacto que iria causar. Cancelamos nossos treinos que haveriam aglomeração de pessoas e estamos tentando suprir isto da melhor forma possível, através de de estudos de vídeo onde os coordenadores de cada posição fazem uma sala de vídeo através de aplicativos e estudam desde jogadas até os adversários. Quanto ao treinamento físico também há um acompanhamento, onde o Ziegler (Fabrício Ziegler, head-coach e preparador físico do Soldiers) passa treinos específicos por posição em campo. Os campeonatos é uma incógnita. Acredito que ainda vão voltar este ano, terão que voltar. Mas a data não tem nada certo. Mas não vamos parar de treinar de qualquer forma.

Mas esta pausa nos campeonatos foi um fato que teria acontecer de qualquer forma devido ao boom da pandemia. Ela tem que haver, para evitar que nossos sistema de saúde não seja abarrotado e não tenha como atender os demais."

BRYAN BACKES - TÉCNICO E PRESIDENTE DO UNIVERSITÁRIO RUGBY SANTA MARIA (URSM)

"Para falar bem a verdade não sabemos ainda o resultado deste impacto. Não temos ideia que como será o futuro. Estamos aguardando o que a Federação Gaúcha de Rugby vai estabelecer sobre o novo calendário e competições. Não temos uma certeza de quando esta pandemia vai parar e isto em alguns pontos traz coisas que assustam. Não sabemos quanto tempo teremos para nos preparar, quais campeonatos vão acabar acontecendo. Não sabemos como os jogadores vão estar, a empolgação deles para voltar a ter uma rotina, para fazer uma nova pré-temporada. O clube estava se organizando financeiramente, agora com isto a movimentação financeira acaba também diminuindo. Jogadores que estavam vindo para jogar também não sabem como vão se restabelecer dentro de seus países. É algo bem preocupante pela parte financeira, o calendário vai ficar mais curto, as coisas vão ter que ser feitas mais as pressas, isto se ocorrerem. Só supomos as coisas, situações, mas entendemos o quanto isto está sendo necessário neste momento.

Os jogadores estão fazendo o que conseguem. Alguns optam por correr na rua, outros se isolam dentro de casa e fazem treino funcional. Não temos como mandar um padrão para cada um, fazemos orientações. Os planos de voltar com o projeto nas escolas e do time feminino terão que ser adiados. Independente de que o futuro nos aguarda, o certo é que vamos correr atrás de prejuízos."

LUCAS DIAS - TÉCNICO DO HANDEBOL FEMININO DE SANTA MARIA (HFSM)

"As gurias estão recebendo diariamente os treinos via WhatsApp para fazer em casa. Nesse momento é importante elas se manterem ativadas e prontas fisicamente para quando voltarmos com os treinos de quadra.

A parte financeira preocupa, a gente teme a perda de patrocinadores, alguns já sinalizaram que seguem conosco, pediram apenas um prazo maior para os compromissos e isso nos deixa tranquilos, mas sabemos que é difícil para todos.

A Federação Gaúcha de Handebol cancelou as fases que aconteceriam em abril, estamos aguardando as coisas voltarem ao mínimo da normalidade, acredito que o nosso Campeonato Estadual e demais competições de handebol devem acontecer de forma adaptada. Será difícil encaixar tudo no calendário, mas cancelar tudo em 2020 será outro momento de tristeza além do que já estamos vivendo. Com responsabilidade acredito que é possível, claro depois que as autoridades máximas OMS assim entender.

GIVAGO RIBEIRO - COORDENADOR DE PROJETOS DA ASSOCIAÇÃO SANTAMARIENSE DE ESPORTES NÁUTICOS (ASENA) E SUPERINTENDENTE DE ESPORTES E LAZER DA PREFEITURA MUNICIPAL

"É uma situação inusitada, ninguém contava com isso. O mundo inteiro está sofrendo com a questão do coronavírus. O maior evento de esportes do mundo, que são os Jogos Olímpicos, já foram transferidos. O mesmo acontecem em cadeia em todas as outras esferas, nas confederações, federações e em nível municipal também. Aqui na Asena estamos com todas as atividades paradas, com exceção dos meninos que moram na casa de atletas, que estão em isolamento, tem uma academia lá e mantem o básico da preparação física. Estavam inclusive treinando para disputar o Pré-Olímpico este ano. Então estamos com as atividades todas paradas, na canoagem, canoa havaiana e no Stand Up Paddle (SUP). Até porque estamos com outro problema que é a seca, nossa raia praticamente se esvaziou na frente da Asena. Combinado ao coronavírus nosso semestre já tem um abalo muito grande.

Na questão de patrocínios por óbvio as empresas estão focados no sustento da empresa e seus empregados, entendemos isto e apoiamos. Nossos patrocinadores estão focando nisto e entendemos, sabendo que tudo quando voltar ao normal estaremos com os patrocínios. A Asena tem um inclusive projeto no Pró-Esporte do governo do estado que está em andamento a parte mais burocrática, da aprovação, mas o início do projeto ainda é incerto porque depende muito de quanto a situação será normalizada. Existe um abalo econômico no esporte, sem eventos também o esporte deixa de ter o básico da arrecadação, exposição das marcas, patrocínios, não temos receitas mas as despesas continuam. Vai ser um ano bem difícil para todas as entidades. É hora de se reinventar, hora de se readaptar. O mais certo é que as federações e confederações adaptem seus calendários para que os eventos ocorram até o final do ano. Mas a prioridade deve mesmo ser o combate ao coronavírus e manter o isolamento até que tudo volte ao normal. É o esporte se reinventado a cada instante, lá na Asena não é diferente. Estaremos prontos para quando tudo voltar ao normal remar cada vez mais rápido para que possamos normalizar esta situação e que nossos atletas estejam novamente preparados, com a estrutura da Asena novamente na parte administrativa andando e crescendo cada vez mais."

CARLOS GARDA - PRESIDENTE E DIRETOR TÉCNICO DA ASSOCIAÇÃO GUERREIROS THAI (AGT)

"Está muito difícil para o muay thai. Já estava sendo muito sacrifício continuar e manter equipe e atletas, agora ferrou tudo. As lutas e eventos foram todos cancelados, lutas muito importantes para o nosso muay thai, como da Daniela Vargas que enfrentaria a Luara, as duas grandes atletas do 52kg brasileiro. O Combat Guerreiros Thai também não se sabe quando vai acontecer, enfim, estou sem forças pra continuar. Estou esperando essa crise passar para tomar algumas decisões. Provavelmente farei apenas mais uma edição do Combat e provavelmente o último. Vou dar uma parada por tempo indeterminado, de repente fico alguns anos sem treinar atletas. Este ano a projeção é de fazer o último Combat e encaminhar minhas atletas a Tailândia, Daniela e Geovana. Pretendo deixar alguém no meu lugar na AGT só cuidando do projeto. Estou vendo como vou fazer, mas no momento tenho que cuidar da minha empresa e da minha família."

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